sexta-feira, 9 de agosto de 2013

ZÉ PILINTRA


Em tempos de mudanças, é comum que a gente sinta alguma insegurança pelo que há de vir. Toda mudança, antes de mostrar seus benefícios, provoca desconforto. Numa mudança de casa, por exemplo, tudo fica revirado e fora do lugar, e a gente não sabe quando e nem como vai fazer pra terminar a arrumação…
Mudar dá trabalho, é o que se costuma dizer. Mas sem trabalho, o que se há de ganhar? Pra tudo que se queira alcançar, é preciso algum empenho da nossa parte e isto é bom, porque depois vem a satisfação pelo bom resultado… Estamos passando por um período de muitas mudanças, em termos globais e pessoais. Os valores da sociedade atual estão sendo questionados. Hoje, mais do que nunca, levantam-se discussões sobre a aplicação da Ética nos vários setores da vida humana: nos relacionamentos, inclusive na política e no meio religioso; nas ciências, nas artes e em todas as produções do conhecimento e da inteligência; no aproveitamento e preservação das riquezas naturais; nos cuidados com a nossa saúde emocional, mental e física etc.
Há um movimento generalizado pela busca de mais respeito ao Planeta que nos acolheu, de modo que um maior número de pessoas tenha acesso a melhores condições de vida, inclusive em termos de futuro. Para que isso aconteça, a médio e longo prazo, a nossa forma de pensar precisa mudar.   Não é mais possível “empurrar a vida com a barriga”, fechando os olhos para atitudes e coisas que não deram certo no passado e que agora também estão falhando, justamente porque se baseiam em conceitos equivocados sobre o significado maior da nossa existência.  
Somos “inquilinos” do planeta Terra, de todo o sistema que sustenta a Vida planetária, e também “inquilinos” do corpo que abriga a nossa alma. Dependemos uns dos outros para viver e precisamos agir com responsabilidade em relação a tudo o que nos rodeia. Precisamos respeitar nossos semelhantes e todas as formas de vida existentes, inclusive os recursos naturais disponibilizados pelo Criador para a sobrevivência e evolução da nossa espécie e das demais.
Tudo o que fazemos, sentimos e pensamos individualmente repercute no todo da Criação. A qualidade das nossas energias reflete no meio em que vivemos e também em outras esferas. Aquilo que pensamos e sentimos, e não apenas as nossas ações, tem a capacidade de criar energias que vão interferir no todo. Por isso, é importante e urgente que se procure melhorar a qualidade das nossas emoções, sentimentos e pensamentos. Tudo o que existe provém da Energia Criadora, tudo é energia. Melhorar a qualidade das nossas energias é uma forma essencial de melhorarmos o ambiente, nossa própria vida e a de todos. Não podemos esperar que os outros façam o Bem para também fazê-lo.
Cada um de nós tem uma parte dessa tarefa para executar. Alguém já disse que para mudar o mundo é preciso, primeiro, que cada um mude a si mesmo. Realmente, é assim. Quando passamos a falar e a nos ocupar de coisas boas com mais habitualidade, alimentamos as células do nosso pensamento com energias positivas, melhorando nossa frequência e atraindo mais positividades. Sintonizamos melhor com a Mente Criadora.
Nosso corpo físico também é beneficiado e o nosso desempenho geral melhora. Pensamos com mais clareza e enxergamos a vida de um modo mais leve e saudável, então desenvolvendo um pouco mais a nossa capacidade intuitiva e a nossa percepção geral das coisas.  Para se entender isto, basta lembrar um momento em que nos sentíamos de bem com a Vida. Tudo nos parecia mais leve, mais fácil de resolver…
Já quando ficamos aborrecidos ou de mau humor, tudo parece pesado e difícil… A mudança da nossa frequência vibratória é que provoca essas alterações, por sintonia. Semelhante atrai semelhante… Nem sempre conseguimos entender e aceitar as desigualdades sociais, as mentiras e traições, o absurdo da exploração do homem pelo homem, as maldades etc. Olhamos para isso e nos perguntamos o porquê, sem obter respostas satisfatórias. Daí, muita gente se deixa abater e passa a duvidar do Bem, querendo andar na contramão da Vida…
Porém, essa postura só causa mais sofrimento… Ao invés de perdermos tempo contando e recontando notícias ruins e tragédias, precisamos manter uma linha de pensamento elevada. Construir energeticamente um mundo melhor. Idealizar um mundo com menos desigualdades, mais fraterno. Sonhar com coisas que ainda não existem, mas que podem vir a existir para a nossa humanidade. Por que não? Tudo o que existe, primeiro foi pensado e idealizado por alguém! Não é que a gente passe a viver fora da realidade, só imaginando e sem nada fazer, isso não!
Mas precisamos construir uma boa base energética, começando por melhorar a qualidade dos nossos pensamentos, emoções e sentimentos, para que eles venham a dar frutos melhores. Bons pensamentos inspiram bons sentimentos, boas emoções e boas ações, e vice-versa. Simples aplicação da lei de causa e efeito, das afinidades… Se nós desejamos um mundo melhor, precisamos dar o primeiro passo. Não importa se o vizinho, o patrão, o parente ou o amigo ainda não é capaz de entender isso. A nossa crença não depende da crença alheia!
Cada pessoa que se modifica internamente para melhor acaba por agir melhor e também passa a irradiar esse padrão mais elevado de energias por onde passar. Cada mudança individual gera mudanças no coletivo. E é deste ponto que nós precisamos partir. Dar o primeiro passo, e não ficar esperando que o outro se modifique… Por acaso, numa classe, a aprovação de um aluno depende do aproveitamento dos demais? Não!
Cada um recebe o mérito pela própria aplicação, ou seja, a prova de cada aluno recebe a nota que merece. Mas um bom aluno pode auxiliar os colegas, se e quando isso for permitido e possível pela direção da escola. Assim também é na Vida: não podemos mudar o outro, não podemos fazer pelo outro, mas podemos melhorar nosso desempenho e colaborar para o bem comum.
Quanto maior o número de pessoas convictas do Bem e voltadas para a prática do Bem, mais intensa e potente será a irradiação e propagação do Bem para o meio. Daí a importância das boas leituras, de frequentarmos bons ambientes, de cultivarmos bons pensamentos e sentimentos, de procurarmos boas companhias. Plantar o Bem em nós, para irradiá-lo e assim atrair, cada vez mais, coisas boas pra nossa vida.
Nada de perder tempo comentando maldades e notícias ruins, de repetir fofocas e intrigas, nem de criticar as fraquezas e quedas alheias… Precisamos iluminar a nossa mente. Precisamos melhorar nosso padrão vibratório. Antes de reclamar que o outro não faz as coisas direito, que a gente cuide de fazer o Bem. Antes de dizer que “falar é fácil, mas fazer é difícil”, que a gente cuide de alimentar pensamentos mais elevados.
Primeiro, é preciso sonhar, idealizar, para depois concretizar. Então, mãos à obra! Estamos num tempo de preciosas mudanças, a nossa humanidade está às portas de ganhar mais consciência e de passar a viver num mundo mais elevado. O tempo é agora, não vamos desperdiçá-lo!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

OGUM


Ogum é um poderoso Orixá, dono do ferro e do fogo. Ele é um guerreiro,um lutador que defende a lei e a ordem. Este Orixá abre os caminhos e vence as lutas, agindo pelo instinto para defender e proteger os mais fracos. Todas as lutas, as conquistas, as vitórias são presididas por Ogum.
Ele é a lei divina em ação, que pune e premia, mas não gosta de ser invocado em vão. É fácil invocar Ogum, mas controlar as suas ações é impossível.
O dia da semana consagrado a Ogum é a terça-feira, que coincide com o dia dedicado pelos romanos a Marte, o deus da guerra. Sempre ligado à força e ao poder, ele é o dirigente que não quer ter suas ordens desobedecidas. Ogum pode ser associado ao arcano IV do Taro: o Imperador; como esse arcano ele encarna a vontade firme aliada a força de execução, as energias fluindo para uma realização material. Ele protege seus domínios de forma consciente, seguro do poder que representa. Enfocado como arquétipo, Ogum contém elementos fortes e consistentes que o mantém como uma figura viva e atuante na esfera psíquica do homem.

O Físico e o Temperamento
O filho e a filha de Ogum são geralmente magros e altos (pode haver exceções). Apesar de ser um pouco tímido e discreto quase nunca passa despercebido.
O temperamento reflete o vigor físico do filho de Ogum: ele está sempre em atividade, é determinado e criador. O espírito de competição é evidente e a impaciência e as frustrações ao perder criam mais incentivo para ele seguir em frente.
Ele não reflete sobre os riscos de uma ação, pois é impetuoso e impulsivo e está sempre travando batalhas.
Sem o impulso e a coragem de Ogum a humanidade demoraria muito para alcançar o progresso; é ele o desbravador, aquele que abre o caminho para quem vem atrás. Moisés é uma personalidade típica de Ogum: a sua ira ao quebrar as tábuas da lei divina, a coragem para dirigir seu povo numa viagem para o desconhecido, o poder a ele atribuído de abrir caminhos são atributos de um homem de Ogum.
Como todo homem possui seus defeitos o filho de Ogum considera apenas o seu próprio ponto de vista, seguir metas que lhe são importantes sem considerar todos os que direta ou indiretamente estão envolvidos com ele.
Os desafios aguçam o espírito combativo de Ogum e o modo dele utilizar a sua força pode parecer, aos olhos de quem não o compreende bem, altivez e arrogância.
Qualquer forma de limite representa uma prisão para uma pessoa regida por Ogum. Ele precisa se enxergar livre para ir e vir á sua vontade, não consegue expandir sua alegria, força e energia em um ambiente restritivo e sempre igual. A novidade serve de estímulo à ação.
Com capacidade de liderar e coragem suficiente para enfrentar qualquer missão, consegue reunir a sua volta pessoas que colaboram com ele por prazer sentindo-se revitalizadas pelas qualidades magnéticas e energéticas dessa personalidade tão forte.
Sem aceitar palpites no que faz , ele é franco e rude ao impor a sua vontade aos seus subordinados. É capaz de castigar prontamente qualquer falha , mas seu perdão vem depressa e logo pede desculpas quando se excede no seu comportamento.
Gosta da verdade acima de tudo, nunca fala por trás de alguém, suas críticas são abertas, pois detesta dissimulação.

Amor e Casamento
Quem consegue cativar e manter junto a si um filho de Ogum tem o privilégio de saber que jamais será enganado. Nunca ouvirá desculpas esfarrapadas para explicar onde ele esteve ou o que fez. O filho de Ogum não mente, ele diz a verdade espera ser acreditado, qualquer duvida irá ofendê-lo.
Quando um filho de Ogum encontra uma pessoa de temperamento cordato, porém que possua opiniões fortes e próprias ele fica feliz. Se essa pessoa souber se manter equilibrada na difícil corda bamba que é agradar sem ceder, ela conseguirá manter o relacionamento vivo.O filho de Ogum não gosta de pessoas sem idéias próprias, vai querer para companheiro(a) alguém que as possua em quantidade, mas que também saiba expô-las de modo especial.

Saúde
A saúde de um filho de Ogum é boa, ele é resistente e sua constituição forte evita as doenças. Os seus pontos fracos são as articulações, as dores de cabeça, as febres fortes.
Quando está doente o filho de Ogum não quer ficar em repouso, é muito trabalhoso convencê-lo a descansar e dar tempo ao seu corpo para se recuperar. Só fica na cama quando está verdadeiramente mal, aí então fala pouco e fica nervoso com a obrigação de parar para se refazer.
Seus problemas de saúde são mais para o tipo violento e repentino do que para doenças crônicas e demoradas.
As doenças nervosas como úlceras, esgotamentos e depressão são menos comuns, mas podem atingi-lo se ele cometer excessos de trabalho ou for mal sucedido em seus empreendimentos.

O Homem de Ogum
Ele é confiante ,entusiasmado, generoso,solidário, enérgico, ousado, ativo em seu lado positivo e pode também ser intolerante, violento, impulsivo, obstinado, egoísta e exigente em seu lado negativo.

A mulher de Ogum
Elas são  sinceras, encantadoras, vigorosas, corajosas, entusiasmadas, românticas que são qualidades que excedem seu lado negativo já que ela também pode ser mandona, irritada e impulsiva.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O JOVEM GUERREIRO BRANCO AJUDARÁ NO TRABALHO E INVESTIMENTOS


Regência da Semana: XAPANÃ JÀGÚN IPETU 05/08/2013
O Jovem Guerreiro branco te deixará atento e enérgico. Ajudará no trabalho e investimentos. Afaste-se de pessoas arrogantes.
Simbologia:
Jàgún Ipetu é representado pela Òkó Ídapó (lança sagrada). Dia: quarta-feira, bom para manifestações.
Oferenda:
Àgbàdo sun làtípà: milho torrado com folha de mostarda.
Cores:
Branco que simboliza vida e atrai saúde.
Características do Orixá:
Jàgún Ipetu é chamado pelos yorubás de: "Ode Dudu bò ara aso ìko funfun" (Caçador negro que cobre o corpo com roupa de palha branca). Tem ligação com Ogun, Yemanjá e Oxalá. Em sinal de respeito, os sacerdotes de Jàgún Ipetu ao pronunciarem o seu nome, tocam os dedos no chão e os levam à cabeça. Usa o Sàsàrà (cetro feito com palha da costa). Saudação: Abáo!
Axés & Magias:
Para despachar demandas e feitiçarias de uma casa, bata em todos os cômodos, folhas de café e pinhão roxo e despache num lugar úmido. Depois, defume a casa de dentro para fora com mirra e palha de alho.
Para reativar o relacionamento:
Forre um prato de papelão com folhas de colônia e mamona. Escreva o nome da pessoa a lápis com seu por cima. Estoure 250 g de milho de pipoca no azeite doce. Depois triture ou soque estas pipocas até ficarem picadinhas e misture-as com mel de abelha, colocando em cima dos nomes.
SIMPATIA DA SEMANA: PARA SUPERAR SEPARAÇÃO
Para superar o fim de um relacionamento, escreva o nome da pessoa em um papel branco e pise em cima com o pé esquerdo, atrás de uma porta. Depois, faça uma bolinha com o papel e jogue-o numa lixeira bem longe de sua casa. Faça com fé e volte a ser feliz!

domingo, 4 de agosto de 2013

TRADUÇÃO DAS REZAS DE OSSÃE

Ossanhe
Saudação:
Tamboreiro - Ajúbà Òsanyìn wè omioro, Òsanyìn aibi, èwé lhe màá, Òsanyìn oogun nem’ke bomi Ewé ou! (Respeitamos Ossanhe que banha com água medicinal, Ossanhe que não tem filhos, erva que se estende para fora como a água, Ossanhe pratica medicina no alto. Oh as folhas!)
Responder - Èwé ou! (Oh as folhas!)

T - Nú a jà kún a bá omi (Nos ampara que nos esforçamos, enche que nós encontramos água)
R - Nú àjé wá, nú áseni (Que se perca o feitiço ao vir, que se perca o inimigo desconhecido)
T - Á sun e l’iná Bàbá omo sun e l’iná Bàbá (Venha queimar senhor, use o fogo pai, o filho suplica ao senhor que use o fogo, pai)
R - Á sun e l’iná Bàbá omo sun e l’iná Bàbá (Deve queimar senhor, use o fogo pai, o filho suplica ao senhor que use o fogo, pai)
T - Òsanyìn dêem imó ré (Ossanhe crie o conhecimento aumentando-o)
R - Ao ri ou màá eu erúnmalè ao ri ou (Nós sempre que o vemos festejamos, espírito de luz)
T - A tinrin tin tin (Sorrimos com desprezo assim, assim)
R - Ao ri ou màá yò erúnmalè ao ri ou (Nós sempre que o vemos festejamos, espírito de luz)
T - Òsanyìn bá ìsòro èrò màá yò, Òsanyìn bá ìsòro èrò màá yò (Ossanhe deixe para trás o problema com uma solução que sempre festejarei)
R - Òsanyìn bá ìsòro èrò màá yò, Òsanyìn bá ìsòro èrò màá yò (Ossanhe deixe para trás o problema com uma solução que sempre festejarei)
T - Ou yà, wá ga lè yò (Te manifeste e venha exaltado festejar)
R - Ou yà, wá ga lè yò erù fè (Te manifeste e venha exaltado festejar, carrega e trabalha)
T - Ao ga lè yò ao ga lè yò ao ga lè yò erù fè àga lè yò erù fè Òsanyìn dê màá’ rù ke fè (Nos exaltamos e podemos festejar, carregamos e trabalhamos. Ossanhe chega, sempre carrega, corta e trabalha)
R - Ao ga lè yò ao ga lè yò ao ga lè yò erù fè àga lè yò erù fè Òsanyìn dê màá’ rù ke fè (Nos exaltamos e podemos festejar, carregamos e trabalhamos. Ossanhe chega, carrega, corta e trabalha)
T- Ori móko! (A cabeça prevalece)
R - Bá mò kéré ké (Encontre-a, reconhece-a com um pequeno corte)
T - Ori koko (A cabeça firme)
R - Bá mò kéré ké (Encontre-a, reconhece-a com um pequeno corte)
T - Èrò meu sèrò èrò (Me cure, faz um remédio, um remédio)
R - Èrò meu sèrò èrò èrò (Me cure, faz um remédio, um remédio)
T - Ire abá bá omo (Que o filho encontre boa sorte no caminho)
R - Ire abá bá omo ire (Que o filho encontre boa sorte no caminho, boa sorte)
T - Òsanyìn s’èkó sei ré’kó (Ossanhe age e faz teu o ensino)
R - Sei ré’kó sei ré’kó s’èkó (Faz teu o ensino, age ensinando)
T - Èlò wá’ pè’ kó sun arun (Entidade de cura vem ó chamado, ensina a curar a enfermidade)
R - Èlò wá’ pè’ kó sun aro’ seu (Entidade de cura vem ó chamado, ensina a curar a tristeza)
T - Lànà’ rukè lànà’ rukè ewé òbe nf’ara bo (Abra o caminho com o rabo de cavalo, as ervas e a faca. Usando o corpo, entre)
R - Lànà’ rukè lànà’ rukè ewé òbe nf’ara bo (Abra o caminho com o instrumento de rabo de cavalo, as ervas e a faca. Usando o corpo, entre)
T - Èkó fá èkó fá (Ensine tomando-me seu tempo)
R - Èkó fá èkó fá (Ensine tomando-me seu tempo)
T - Dê mã’ruke fè mã ‘rukè fè (Chegue sempre trabalhando com o instrumento de rabo de cavalo)
R - Òsanyìn dê mã’ruke fè (Ossanhe chegue sempre trabalhando com o instrumento de rabo de cavalo)
T - Èlò wá pè kó l’arun dê (Entidade de cura vem ó chamado, ensina a afastar a enfermidade, chega)
R - Èlò wá pè kó yára (Entidade de cura vem ó chamado, ensina rápido)
T - Èlò wá pè kó sei’ sei meu (Entidade de cura vem ó chamado, ensina, faz meu trabalho)
R - Èlò wá pè kó yára (Entidade de cura vem ó chamado, ensina rápido)
T - Òsanyìn nú àjé ki nú àjé ki baba ló odò kún (Ossanhe limpe a bruxaria empurrando-a, limpe a bruxaria empurrando-a, pai. Jogue-a no grande rio)
R - Òsanyìn nú àjé ki nú àjé ki baba ló odò kún (Ossanhe limpe a bruxaria empurrando-a, limpe a bruxaria empurrando-a, pai. Jogue-a no grande rio)
T - Òsanyìn rá wá meu àdé sei sei minha’ ré só só (Ossanhe te manifeste, vem minha coroa, me faça bem e me protege)
R - Òsanyìn rá wá meu àdé sei sei minha’ ré só só (Ossanhe te manifeste, vem minha coroa, me faça bem e me protege)
T - Né! Olósanyìn má ku orò! (Sacerdote de Ossanhe, não falte espírito!)
R - Òsanyìn Òsanyìn sim! (Ossanhe existe!)
T - Òsanyìn sá ru’ wé, dà yí sá ru’wé, dà yí sá ru’wé, dà yí sá ru’wé (Ossanhe corre e leva as ervas, macere-as, transforme-as, corre e leva as ervas)
R - Òsanyìn sá ru’ wé, dà yí sá ru’wé, dà yí sá ru’wé, dà yí sá ru’wé (Ossanhe corre e leva as ervas, macere-as, transforme-as, corre e leva as ervas)
T - Oti oti dê wá Òsanyìn rà oti dê wá (Ossanhe deve buscar a bebida, pegue a bebida que vem procurá-lo)
R - Oti oti dê wá Òsanyìn rà oti dê wá, oti oti dê wá (Ossanhe deve buscar a bebida, pegue a bebida que vem procurá-lo, deve buscar a bebida)
T - Òsanyìn se ré bu wá Sàkpàtà ní se ré bu wá ou! (Ossanhe faz o bem, pesquisa profundamente, Xapanã tem que fazer o bem, pesquisa profundamente)
R - Ou yà ou yà b’odù Òsanyìn se ré bu wá (Te divida, te divida como os signos do Ifá, Ossanhe faz o bem e pesquisa profundamente)
T - Ou yà ou yà b’odù! (Te divida, te divida como os signos do Ifá!)
R - Òsanyìn se ré bu wá (Ossanhe faz o bem e pesquisa profundamente)
T - Òsanyìn èdè oogun làí-làí, èdè oogun làí-làí (Ossanhe é a linguagem da medicina do começo dos tempos)
R - Òsanyìn sá ru’ wé èdè oogun làí-làí (Ossanhe corre, leva as ervas, é a linguagem da medicina do começo dos tempos)
T - Sou èle sou èle! (Amarra com força)
R - Ásejù rá nà ré wá (Arrasta o excesso, propaga o bem, e vem)
T - Sou èle Òsanyìn g (Amarra com força Ossanhe e corta)
R - Ásejù rá nà ré wá (Arrasta o excesso, propaga o bem, e vem)
T - Sou sou ìtan jèfá (Nos amarre a uma história com uma experiência de boa sorte)
R - Ásejù rá nà ré wá sou ìtan jèfá, ásejù rá nà ré wá (Arrasta o excesso, propaga o bem, vem nos amarrar a uma historia com uma experiência de boa sorte)

sábado, 3 de agosto de 2013

OXUM



Oxum genitora por excelência, ligada particularmente à procriação. Deusa das águas doces reina sobre os rios, também divindade do ouro e dos metais amarelos.  Vaidosa, foi a segunda esposa de Xangô, tendo vivido anteriormente com OgunOrunmilaiá ,Odé Oxossi. Maternal, carinhosa e muito afeita às crianças, amante da beleza e do adorno.
Também é chamada de Iyálòóde, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade.       
Oxum representa a mãe da criação que toma conta dos filhos dos outros em gestação até o décimo sexto dia de nascimento.
Diz-se que ela é provedora, atende as necessidades dos outros e que, portanto, merece o reconhecimento dado a uma mãe :Rora Yeyé Gbémi!  Mãe Grandiosa, Proteja-Me.
Orixá que recebe o nome de um rio da Nigéria, em Ijexá e Igebú.
Á Oxum pertence o ventre da mulher e ao mesmo tempo controla a fecundidade, por isso as crianças lhe pertencem.
Dona da água doce, gosta de usar colares, joias, brincos de ouro e tudo que se relaciona com a vaidade, flores, etc.
Poder claramente relacionado com a fecundidade, é personagem de um mito muito conhecido em que um simbolismo transparente mostra que mesmo Oxalá supera o tabu da menstruação para prosternar-se aos seus pés. Transformando em penas vermelhas o papagaio da costa, o sangue que gotejava do corpo de uma sacerdotisa.
Por um lado é a moça faceira e sedutora, por outro preside os mistérios femininos, a maternidade, a magia, profundezas da imaginação, a riqueza, crescimento e a fecundidade.
Oxum a estrela, mostrando sua luz na imensa escuridão da mente humana.
Oxum, a senhora das águas doces, e de parte das águas do mar, é a aiabá da beleza, da fertilidade, da feminilidade e do charme.
Poderosa rainha que conquistou o coração de Xangô também de Bará, ou Ogum, recebendo o nome de Ápara sendo muito semelhante com Iansã.
Dona de uma elegância e de uma astúcia surpreendente.
Dama da mais alta hierarquia.
Foi ela que criou a galinha da angola, ave que por ter o corpo pintado e ostentar um osu na cabeça é tido como feito -iniciado- .
Entidade da medicina curativa, madrinha da procriação e da gestação que toma sob sua proteção todos os seres humanos desde a concepção até que comecem a andar e adquirir conhecimento.
Evita abortos e complicação durante a gravidez.
Oxum é a água que produz todas as qualidades de som, a senhora do Ijexá.
A graciosa rainha, cuja idés de ouro imitavam o burburinho das cascatas.
Ela se vestia de ouro e de bronze, tinha dentes belos e era muito elegante e esperta.
Cantava muito lindo.
Quem queria ter dinheiro pedia a Oxum que ela dava.
Oxum meticulosa cozinheira.
É a graciosa mãe das águas profundas, divindade dos rios, fontes e regatos.
Orixá que enfeita seus filhos com ouro e fica muito tempo no fundo das águas gerando riquezas.
Que conhece o segredo, o segredo da vida, nas não o revela.
Mãe procriadora, está associado a fisiologia feminina presidindo a menstruação, gestação e nascimento. É considerada a dona do ovo, símbolo da fertilidade, a maior célula viva, e que evoca a ideia de fartura e riqueza.
Em um das suas qualidades, tem-se Oxum Apara senhora das águas frescas, dotada de força positiva, guerreira que, ao se fazer presente, rodopia como o vento, sem que possamos vê-la, apenas ouvi-la, com sua voz afinada que se assemelha ao canto do ègá.
É sensual, exibicionista, consciente de sua rara beleza. Se utiliza desses atributos com jeito e carinho para seduzir as pessoas e conseguir seus objetivos.
Dança de preferência sob o ritmo de sua terra: Ijexá. Sua dança lembra o comportamento de uma mulher vaidosa e sedutora.
Ela faz a qualquer um o que o médico não faz, é a Orixá que cura o doente com a água fria.
Se cura a criança, não apresenta honorários ao pai.
É a Orô, um pássaro que tem uma pena brilhante na cabeça, e a Yalodê, que ajuda as crianças a terem uma mãe.
Manda a cabeça má ficar boa.
Oxum é doce e poderosa como Oni.
Oxum não concede as más coisas do mundo. Ela tem remédios gratuitos e faz as crianças tomarem mel. 
Quando Orumilá estava criando o mundo, escolheu Oxum para ser a protetora das crianças. Ela deveria zelar pelos pequeninos desde o momento da concepção, ainda no ventre materno, ate que pudessem usar o raciocínio e se expressar em algum idioma. Por isso, Oxum é considerada o orixá da fertilidade e da maternidade.
Por sua beleza, Oxum também é tida como a deusa da vaidade, sendo vista como uma orixá jovem e bonita, mirando-se em seus espelhos e abanando-se com seu leque, abebê.
Governa as ervas antissépticas e desinflamatórias. Seu domínio é subsolo do universo, suas características são a vaidade e a faceirice. 
Mãe ancestral suprema, Oxum é considerada a patrona dos peixes, mas é também representada pelos pássaros. O ovo é um dos seus símbolos.



Mitologia


"Iya Mi Ti To So Oku De À Iy É” -ela transforma a morte em vida.

Odi Ona Ku Ita Ò Run” - ela fecha o caminho da morte.

Sempre que Oxalá queria saber de algo, consultava Ifá, o Senhor da adivinhação, para que ele visse o destino  a ser seguido. Ifá, por sua vez, sempre dizia à Oxalá:
- Pergunte a Bará, pois ele tem o poder de ver os búzios!
E este acontecimento se repetia a cada vez que Oxalá precisava saber de algo.
Isto intrigou Oxum, que pediu ao pai para aprender a ver o destino. E Oxalá disse à filha:
- Oxum, tal poder pertence a Ifá, que proporcionou a Bará o conhecimento de ler e interpretar os búzios. Isto não posso lhe dar!
Curiosa Oxum procurou, então, uma saída. Sabia que o segredo dos búzios estava com Bará e procurou-o para lhe ensinasse.
- Ensina-me, Bará ! Eu também quero saber como se vê o destino.
Ao que Bará respondeu:
- Não, não! O segredo é meu, e me foi dado por Ifá. Isso eu não ensino!
Bará estava intransigente. Oxum sabia disso e sabia que não conseguiria nada com ele.
Partiu, então, para a floresta, onde viviam as feiticeiras Yámi  Oxorongá.
Cuidadosa, foi se aproximando pouco a pouco do âmago da floresta. Afinal, sua curiosidade e a decisão de desbancar Bará eram mais fortes que o medo que sentia.
Em dado momento deparou-se com as Yámi, empoleiradas nas árvores. Entre risos e gritos alucinantes, perguntaram À jovem Oxum:
- O que você quer aqui mocinha?
- Gostaria de aprender a magia! Disse Oxum, em tom amedrontado.
- E por que quer aprender a magia?
- Quero enganar Bará e descobrir o segredo dos búzios!
Mas advertiram que, sempre que Oxum usasse o feitiço, teria que fazer-lhes uma oferenda. Oxum concordou e partiu.
Em seu reino, Oxalá já se preocupava com a demora da filha que, ao chegar, foi diretamente ao encontro de Bará. Ao encontrar-se com este, Oxum insistiu:
- Ensina-me a ver os búzios, Bará?
- Não! Foi sua resposta.
Oxum, então, com a mão cheia de um pó brilhante, mandou que Bará olhasse e adivinhasse o que tinha escondido entre os dedos.
Bará chegou perto e fixou o olhar.
Oxum, num movimento rápido, abriu a mão e soprou o pó no rosto de Bará, deixando-o temporariamente cego.
Ai! Ai! Não enxergo nada, onde estão meus búzios? Gritava Bará.
Oxum, fingindo preocupação e interesse em ajudar, disse a Bará :
- Eu os procuro, quantos búzios, formam o jogo?
- Ai! Ai! São 16 búzios. Procure-os para mim, procure-os!
- Tem certeza de que são 16, Bará ? E por que seriam 16?
- Ora, ora, porque 16 são os Odus e cada um deles fala 16 vezes, num total de 256.
- Ah! Sei. Olha, Bará, achei um, ele é grande!
- É Okanran! Ai! Ai!  Não enxergo nada!
- Olha, achei outro, é menorzinho.
- É Eji-okô, me dê, me dê!
- Ih! Bará. Achei um compridinho!
- E Etá-Ogundá, passa para cá....
E assim foi, até chegar ao ultimo Odu.

Inteligente, Oxum guardou o segredo do jogo e voltou ao seu reino.
Atrás de si, deixou Bará  com os olhos ardidos e desconfiados de que fora enganado.
Hum! Acho que essa garota me passou para trás!
No reino de Oxalá, Oxum disse ao seu pai que procurara as Yámi, que com elas aprendera a arte da magia e que tomara  de Bará  o segredo do Jogo de Búzios.
Ifá, o Senhor da adivinhação, admirado pela coragem e inteligência de Oxum, resolveu dar-lhe, então, o poder do jogo e advertiu que ela iria regê-lo juntamente com Bará .



 ARQUÉTIPO


A Orixá Oxum transmite a seus filhos energia, vibração que esta relacionada com ela, portanto seus filhos acabam por ter a personalidade influenciada  e manifesta tanto de maneira positiva como negativa.
As filhas e filhos da entidade Oxum, não se zangam com facilidades.
Não gostam de brigas.
Não sabem recusar. Adoram crianças pequenas.
Algumas são ambiciosas, adoram o luxo, o conforto e a riqueza, julgam que para vencer na vida consiste em usar seus encantos para conseguir o que querem.
Feminina, sensual, ingênua, dócil e infantil, desejosa de curar, ajudar e cuidar dos fracos.
Afetividade, familiaridade, concordância, maternidade, altruísmo, tendo seu destacado lado inverso: maledicência, seu lado intrigante, hipócrita, mentirosa, interesseira.
É bom esclarecer que o comportamento também sofre a influência do orixá que faz a dualidade com ela e claro a cultura, educação e orientação individual.
Podemos acrescentar que são meigas, sedutoras, com voz suave, olhos brilhantes, sorriso alegre, um rosto inocente, mulheres sensuais como já disse e voluptuosas.
Os homens também sofrem o efeito desta energia quando ela faz polaridade com a entidade principal do homem, claro que existem muitos casos em que ela é a principal, pelo menos é a que tem a atuação mais forte, e, isto ocorre principalmente quando o homem é filho de determinados Oxalá,OssaimOdé, tornando-os pessoas extremamente emotivas, instáveis, inconstantes, podendo ser infiéis, levianos, fúteis.
Algumas filhos ou filhas são ingênuos, crédulas, infantis, preguiçosos, moles, indecisos,precisando sempre de um sacudidão.
Não se zangam com facilidades. Não gostam de brigas. Não sabem recusar. Mas se pegarem alguém para inimigo vão ao extremo. Tornando-se principalmente caluniadores e mentirosos.
Muito criativos e péssimos competidores. Trapaceiros.
As pessoas que sofrem a influência da energia Oxum, são pessoas muito apegadas a beleza física. Narcisistas.
Colocam a aparência em primeiro lugar.
Gostam de serem observadas, são extremamente vaidosas.
Se preocupam com que os outros vão pensar e falar.
Quase sempre preveem acontecimentos futuros, distinguem sinceros amigos com simples trocas de palavras.
Muito sentimentais, ofendem-se com facilidade, mas não costumam expor suas feridas.
Gostam de trabalhos manuais onde sua adaptação é rápida e possa ser admirada pelos outros.
Inclinadas a arquitetura, às ciências ocultas, religiões, comércio, eletricidade, publicidade, culinária, desenho.
Meigas, mas rancorosas aos extremos.
Ciumentas em demasia.
Seu ponto fraco fisicamente são a garganta e o aparelho genito-urinário. Também neste ponto sofrem a influência negativa do orixá de parceria.
São de estatura mediana, corpo mais franzino que de outros orixás femininos e masculinos.
Possuidoras de grande sensibilidade espiritual, via de regra boas espiritualistas.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

BARÁ


EXÚSBARÁ OU EXU
SAUDAÇÃOALUPO ou ALALUPO(batuque)
LAROYE EXÚ (candomblé)
DIA DA SEMANASEGUNDA-FEIRA
DOMÍNIOSCAMINHOS
ENCRUZILHADAS
PORTÕES, ETC
CORVERMELHO
VERMELHO E PERTO
PRETO
FERRAMENTASCHAVETRIDENTE
OFERENDASBARÁ
PADE DE EXÚ

“O conceito de Imolê Êxù Yangí, Imolê Exu Âgbâ ou Âgbâ-Êxù.”O Criador (Olôrun, Olodumaré ou Nzambi) deu a vida ao seu primogênito, Obâtálâ (Oxalá), onde, mais tarde, também deu-lhe a incumbência de formar o mundo físico, material. Oxalá e todos os Orixás Funfun primordiais são os senhores da cor branca.
O segundo, foi Odùduwâ, igual em importância. O(a) senhor(a) da cor preta. Ambos foram criados de Sua própria essência. De seu hálito. Veio o terceiro...
Da lama primordial, da matéria confusa do Cosmos antes de ser ordenado, O Criador formou um montículo que se ergueu naquela matéria inerte. Assoprando-lhe, aquele rochedo avermelhado, de laterita, tornou-se vivo. Esse novo ser, essa divindade primordial participante da criação do plano físico (Imolê) dotou-se de muitos nomes por suas inúmeras qualidades. Criava-se ali Êxú Yangí (Exu da Laterita Vermelha), Êxú Âgbâ (Exu Ancestral) ou ainda Êxú Igbá Ketá (Exu da Terceira Cabaça ou o Terceiro Criado). O senhor da cor vermelha.
Na enorme complexidade dos mitos africanos, esse também tem inúmeros significados e fundamentos importantes.
Nesses três primeiros Imolê(s) concentra-se todo o axé, todo o poder da Criação dado pelo próprio Deus Supremo. A cor branca, geradora, masculina de Oxalá e dos chamados Orixás Funfun (os “Brancos”, fala-se em torno de cinqüenta entidades), chama-se Iwâ. Sem essa qualidade, a matéria bruta não existiria.
A cor negra, de Odùduwâ, é Âbá. Símbolo da essência gestante feminina, do elemento sutil que dá composição à matéria, somando-se à branca. A cor vermelha é Âxé. O símbolo do elemento já criado, que faz a matéria não ficar suspensa, da eterna e contínua geração em processos evolutivos em todo o Universo. É a força, o poder dinamizador. Da própria vida, porque senão os demais elementos não passariam de simples matéria inerte, morta ou partículas dispersas no vácuo sem coesão... esse é o poder do Orixá Êxú à nível cósmico!
À esse nível, o Orixá Êxú é onipresente em toda a Criação. Não há uma partícula, um átomo, um ser vivo, um planeta ou uma galáxia que não se mova sem a interferência dessa força, desse Orixá/Imolê, desse impulso que ele comanda. A Terra não giraria sobre seu próprio eixo nem em torno do Sol. Não haveria, portanto nem dia, nem noite. Nem as estações do ano.”
(trecho do livro Exu Desvendado de Míriam Prestes de Oxalá / 2001)


Introdução
Exú (candomblé) ou bará-exu (batuque), é o senhor dos caminhos, caminhos que levam e trazem e fazem as pessoas se encontrarem ou distanciarem-se. É quem faz com que os ritos sejam cumpridos, principal responsável pela ligação do mundo espiritual ao mundo material, orun- ayé.Entre dois caminhos lá está ele guardando, indicando. Não se faz nada pelo candomblé ou nação antes de agradar bará/exú, pois é o único Orixá que faz o elo de ligação entre nós e os demais Orixás. Tanto na passagem, como na comunicação, por isso é considerado o mensageiro.
Exú é um Orixá tão importante quanto todos os outros Orixás. Por ser mais ligado com o mundo terrestre, possui certos costumes e temperamentos parecidos com os dos seres humanos. Exú é erradamente sincretizado pelo diabo cristão.
Por ser um Orixá que cuida dos caminhos onde percorrem homens, Orixás, espíritos, etc e sendo o elo de ligação entre esses mundos, Exú possui múltiplos contraditórios, sendo bom e mau, astuto, grosseiro, indecente, protetor, alegre, brincalhão, violento, etc ou seja, é o Orixá mais humanizado do Panteão, pois em seus arquétipos incluem-se as impurezas causadas ou existente nos homens, devido a esses aspectos, foi sincretizado pelos primeiros missionários, com o diabo cristão.
Exu é um orixá de múltiplos e contraditórios aspectos, o que torna difícil defini-lo de maneira coerente. De caráter irascível, ele gosta de suscitar dissensões e disputas, de provocar acidentes e calamidades públicas e privadas.
Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. É também ele que serve de intermediário entre os homens e os deuses.
Por essa razão é que nada se faz sem ele e sem que oferendas lhe sejam feitas, antes e qualquer outro orixá, para neutralizar suas tendências a provocar mal-entendidos entre os seres humanos e em suas relações com os deuses e, até mesmo, dos deuses entre si.
É astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente, a tal ponto que os primeiros missionários, assustados com essas características, compram-no ao diabo, dele fazendo o símbolo de tudo o que é maldade, perversidade, abjeção, ódio, em oposição à bondade, à pureza, à elevação e ao amor de Deus.
Légba
Entre os fon do ex-Daomé, Èsù-Elégbára tem o nome de Légba. Ele é representado por um montículo de terra em forma de homem acocorado, ornado com um falo de tamanho respeitável.
Esse detalhe deu motivo a observações escandalizadas, ou divertidas, de numerosos viajantes antigos e fizeram-no passar, erradamente, pelo deus da fornicação.
Esse falo ereto nada mais é do que a afirmação de seu caráter truculento, atrevido e sem-vergonha e de seu desejo de chocar o decoro.
Os Légba, guardiões dos templos de Hévioso, vodun do trovão, e de sapata, vodun equivalente a Sànpònná dos iorubás, manifestam-se através de légbasi, equivalentes a Olúpòna, durante as cerimônias celebradas para esse vodun.
Os légbasi vestem-se com uma saia de ráfia tinturada de roxo e usam a tiracolo inúmeros colares de búzios.
Debaixo da sua saia traz, disfarçado, um volumoso falo de madeira que levantam, de vez em quando, com mímicas eróticas.
Além disso, têm na mão uma espécie de espanta-moscas, Roxo, semelhante a um espanador, no qual está escondido um bastão em forma de falo, que eles agitam, de maneira engraçada, na cara das pessoas presentes, particularmente sob o nariz dos turistas, pois os légbasi não deixam de observar seus sentimentos ambivalente diante dessas exibições.

Para Exu, tudo começa e termina numa encruzilhada, pois ele tem seu domínio dentro das encruzilhadas do Mundo; por isso ele é o Senhor das Trevas, do Fogo, nos cultos afro-brasileiros, Exu tem diversos nomes, que variam de acordo com a origem que ele irradia seu poder mágico, dentro do Rito Cabalístico onde foi chamado, de acordo com o Culto ou Nação Afro.


O lugar consagrado a Exu é, geralmente, ao ar livre ou no interior de uma pequena choupana isolada ou, ainda, atrás da porta da casa.

É simbolizado por um tridente de ferro, plantado sobre um montículo de terra. A segunda-feira é o dia da semana consagrado a ele. As pessoas que procuram a sua proteção usam colares de contas pretas e vermelhas.
As oferendas, de animais e comida, como na áfrica, são-lhe apresentadas antes das dos outros orixás.
Diz-se na Bahia que existem vinte e um Exus, segundo uns, e apenas sete, segundo outros.
QUALIDADES:
1) Elegbára - È o mesmo ÈXÙ IGBÁKETA BARAQUETU OBÁ. É o mais velho, a primeira forma a surgir no mundo. É o dono do poder dinâmico do processo da multiplicação dos seres. Está ligado tanto ao ancestral masculino como ao feminino. Carrega o ADOIYRAN, cabaça que contém a foca de se propagar. Esta cabaça vai no assentamento. É companheiro inseparável de ÓGUN, a ponto de serem confundidos. Vestem o branco, vermelho, e o azul escuro. Come bichos machos; fêmeas.
2) Alákétu - É o EXÚ do dinheiro, veste branco, vermelho e azul escuro.
3) Laalu - ÈXÙ dos caminhos de ÒÒXÀLÀ. Não deve beber cachaça nem dendê. Veste-se de branco. Vem também, para outros Orixás.
4) Ajelu - Associado ao WÁJI. Que represente o fruto da terra e por extensão o mistério do processo oculta da vida e multiplicação. Dele é o caracol africano. Veste azul arroxeado. Ás vezes aparece vestido de preto.
5) Run danto
6) Tiriri - Acompanha ÒGÚN pelas estradas. Usa vermelho e todas as cores. Sempre nas porteiras dos barracões e caminhos. Tem grande força.
7) Lonan- É o EXÙ das porteiras dos barracões , vigia os caminhos. Traz clientes e a fartura. Usa vermelho, preto e azul arroxeado.
8) Jele bara
9) Anan ou Inan - È invocado no ritual do IPADÊ. É associado ao fogo e representa a força. É simbolizado pelo EGAN ( gorro em forma de cone), pelo pássaro e pelo IKÓDÍDE, pena vermelha do papagaio OÍDE
10) Bará
11) Jigidi- Provocador de brigas.
12) Mavambo
13) Embeberekete
14) Sinza Muzila
15) Sandú
16) Baragbo
17) Akesan - É o que fala pelos búzios.
18) Baralajki
19) Betire
20) Lamu Bata
21) Okanlelogun

Arquétipo

Os filhos de bará/exú possuem um caráter imprevisível ora são bravos, intrigantes e ficam muito contrariados, ora são pessoas inteligentes e compreensivas com os problemas dos outros. Não aceitam derrotas, são melindrosos, de temperamento difícil. Se você tiver desentendimento com algum filho de Exú, aguarde que haverá retorno.
Seus filhos precisam estar sempre em atividade para poderem liberar toda energia que possuem.
Possuem muita tendência à espiritualidade; são fiéis fervorosos que esbanjam fé...


Lenda-01
Todos os Orixás possuem muitas lendas, passadas de boca em boca durante milhares de anos. Citamos aqui duas lendas referentes a exú/bará: Uma mulher que esqueceu de alimentar Exú, se encontra no mercado vendendo os seus produtos. Exú põe fogo na sua casa; ela corre prá lá, abandonando seu negócio, a mulher chega tarde, a casa está queimada e, durante esse tempo, um ladrão levou suas mercadorias. Nada disso teria acontecido se tivesse feito a Exú as oferendas e os sacrifícios usuais em primeiro lugar.


Lenda-02
Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca. Seus campos estavam secos e a chuva não caia. As rãs choravam de tanta sede e os rios estavam cobertos de folhas mortas, caídas das árvores. Nenhum Orixá invocado escutou suas queixas e gemidos. Aluman decidiu, então, oferecer a Exú grandes pedaços de carne de bode. Exú comeu com apetite desta excelente oferenda. Só que Aluman havia temperado a carne com um molho muito apimentado. Exú teve sede. Uma sede tão grande que toda a água de todas as jarras que ele tinha, e que tinham, em suas casas, os vizinhos, não foi suficiente para matar sua sede! Exú foi á torneira da chuva e abriu-a sem pena. A chuva caiu. Ela caiu de dia, ela caiu de noite. Ela caiu no dia seguinte e no dia depois, sem parar. Os campos de Aluman tornaram-se verdes. Todos os vizinhos de Aluman cantaram sua glória:

O dono dos dendezeiros, cujos cachos são abundantes;
O dono dos campos de milho, cujas espigas são pesadas!
O dono dos campos de feijão, inhame e mandioca!
E as rãzinhas gargarejavam e coaxavam, e o rio corria velozmente para não transbordar! Aluman, reconhecido, ofereceu a Exú carne de bode com o tempero no ponto certo da pimenta. Havia chovido bastante. Mais, seria desastroso! Pois, em todas as coisa, o demais é inimigo do bom.


Lenda-03
Conta a lenda que houve uma demanda entre Exú e Oxalá para que pudesse saber quem era o mais forte e respeitado, e foi aí que Oxalá provou a sua superioridade pois, durante o combate, Oxalá apoderou-se da Cabaça de Exú a qual continha o seu poder mágico transformando-o assim em seu servo. Oxalá então permitiria que Exú a partir de então recebesse todas as oferendas e sacrifícios em primeiro lugar. A importância de Exú é fundamental, uma vez que ele possui o privilégio de receber todas as oferendas e obrigações em primeiro lugar, nenhuma obrigação deve ser feita sem primeiro saudar a Exú. É o dono de todas as encruzilhadas e caminhos, é o homem da rua, quem guarda a porta e o portão de nossas casas, quem tranca, destranca e movimenta os mercados, os negócios, etc. Exú também nos confirma tudo no jogo de Ifá (búzios).