sábado, 17 de março de 2012

LENDAS DO SENHOR DAS FOLHAS


Conta-se que Iemanjá morava com seus dois filhos, Ogum e Odé. O primeiro sempre envolvido com seu trabalho nos campos, não era causa de preocupação para sua mãe. O segundo sim. Odé gostava muito de caçar e, às vezes, passava dias fora de casa enfurnado nas matas.
Um dia, ao consultar um Babalaô, Iemanjá foi avisada que deveria impedir o filho de caçar, pois se ele encontrasse Ossãe, não mais retornaria ao lar. A pobre mãe, muito aflita, assim que chegou a casa chamou por Odé e o proibiu terminantemente de voltar a mata, sem, contudo, dizer-lhe o motivo da proibição.
Durante alguns dias, o rapaz obedeceu e evitou a caça. Mas o tempo foi passando, e ele, não conseguindo dominar o desejo, resolveu fazer o que mais gostava. Saiu andando pelas matas sentindo a liberdade que esses momentos lhe proporcionavam.
Tão empolgado ficou que se embrenhou no mais profundo da floresta sem perceber que ja estava muito distante do lar. De repente, numa clareira, ele se depara com Ossãe, o senhor das folhas, que ao ver o belo jovem, imediatamente por ele se apaixonou e o convidou para conhecer a sua morada.
Sem conhecer as previsões do Babalaô e achando o rapaz muito simpático e amigável, Odé o acompanhou. Ossãe, então, usando de seus poderes e conhecimentos sobre as ervas, preparou rapidamente uma poção e a serviu para o rapaz que no mesmo instante perdeu completamente a memória e foi convencido pelo novo amigo de que moravam juntos. Odé tornou-se assim, amante de Ossãe. 


Ogum preocupado com o sumiço do irmão, procura incessantemente pela mata alguém que lhe dê noticias do jovem. Enfim, alertado por um pássaro, consegue encontrar Odé que,  assim que olha para o irmão, recupera a memória e, envergonhado com sua própria inocência, parte em sua companhia, sem olhar para trás.
Ao chegar em casa, Odé é recebido friamente por Iemanjá que não se conformou com a desobediência do filho. Magoado e sem ter para onde ir, volta para a casa de Ossãe, onde sempre fora bem tratado. Dessa forma, os dois Orixás passaram a cuidar de toda a floresta.Odé como o rei da fauna e Ossãe como o rei da flora.


Ossãe recusa-se a cortar as ervas miraculosas

Ossãe era o nome de um escravo que foi vendido a Orumilá. Um dia ele foi a floresta e la conheceu Aroni, que sabia tudo sobre plantas. Aroni, o gnomo de uma perna só, ficou amigo de Ossãe e ensinou-lhe todo o segredo das ervas. Um dia, Orunilá, desejoso de fazer uma grande plantação, ordenou a Ossãe que roçasse o mato de suas terras. Diante de uma planta que curava dores, Ossãe exclamava: "Esta não pode ser cortada, é a erva das dores". Diante de uma planta que curava hemorragias, dizia: "Esta estanca o sangue, não deve ser cortada". Em frente de uma planta que curava febre, dizia: "Esta também não, porque refresca o corpo".E assim por diante. Orumilá, que era um Babalaô muito procurado por doentes, interessou-se então pelo poder curativo das plantas e ordenou que Ossãe ficasse junto dele nos momentos de consulta, que o ajudasse a curar os enfermos com o uso das ervas miraculosas. E assim Ossâe ajudava Orumilá a receitar e acabou sendo reconhecido como o grande médico que é.

Ossãe dá uma folha para cada Orixá

Ossãe, filho de Nanã e irmão de Xapanã, era o senhor das folhas, da ciência e das ervas, o Orixá que conhece o segredo da cura e o mistério da vida. Todos os Orixás recorriam a Ossãe para curar qualquer moléstia, qualquer mal do corpo. Todos dependiam de Ossãe na luta contra a doença. Todos iam a casa de Ossãe oferecer seus sacrifícios. Em troca Ossãe lhes dava preparados mágicos: banhos, chás, infusões, pomadas, abô, beberagens.
Curava as dores, as feridas, os sangramentos, as disenterias, os inchaços e fraturas; curava as pestes, febres, orgãos corrompidos; limpava a pele purulenta e o sangue pisado; livrava o corpo de todos os males.
Um dia Xangô, que era o Deus da justiça, julgou que todos os Orixás deveriam compartilhar o poder de Ossãe, conhecendo o segredo das ervas e o dom da cura. Xangô sentenciou que Ossãe dividisse suas folhas com os outros Orixás. Mas Ossãe negou-se a dividir suas folhas com os outros. Xangô então ordenou que Iansã soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio todas as folhas da mata de Ossãe para que fossem distribuídas ao Orixás. Mas, teria que ser com o vento, e nunca em uma batalha, porque Ossãe contava com o amante Odé, que além de lutar a seu favor, por revolta com os outros, em caso de guerra, não mais abasteceria as aldeias com a caça. Iansã fez o que Xangô determinara. Gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas e as arrastou pelo ar em direção ao palácio de Xangô.
Ossãe percebeu o que estava acontecendo e gritou: " Eu Eu Uassá!" - "As folhas funcionam!". Ossãe ordenou que as folhas voltassem às suas matas e as folhas obedeceram às ordens de Ossãe. As que estavam em poder de Xangô perderam o Axé, perderam o poder de cura. O Orixá Rei, que era um Orixá justo, admitiu a vitória de Ossãe. Entendeu que o poder das folhas deveria ser exclusivo de Ossãe e que assim deveria permanecer através dos séculos. Ossãe, contudo, deu uma folha para cada Orixá, cada qual, com seus Axés e seus Efós, que são as cantigas de encantamento, sem as quais as folhas não funcionam. Ossãe distribuiu as folhas aos Orixás para que eles não mais o invejassem. Eles também podiam realizar proezas com as ervas, mas os segredos mais profundos ele guardou para si. Ossãe não conta seus segredos para ninguém, Ossãe nem mesmo fala. Fala por ele seu criado Aroni. Os Orixás ficaram gratos a Ossãe e sempre o reverenciam quando usam as folhas.


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sexta-feira, 16 de março de 2012

EXU TIRIRI


Portugal, final do século dezenove. Passam das 23 horas quando Bartolomeu Custódio bate a porta de seu primo e é atendido pelo rapaz que,  visivelmente, foi acordado pelas insistentes batidas. - Primo, preciso urgentemente de ti! - Fernando manda-o entrar deixando claro estar contrariado com a visita repentina em tão tardio horário. - Nem me fale Bartolomeu! São réis o que deseja. Não é? - O homem baixa a cabeça e responde num fio de voz: - Perdi mais de mil no carteado do Barão senão pagar ele ameaçou acabar com a minha família. - Mil? Estás louco? Não faz um mês que paguei a sua divida de quinhentos e já vens aqui pedir-me mais mil? Onde vais parar, ou melhor, aonde vou eu parar com tantos réis que se vão ladeira abaixo? Achas que por ter tido sorte na vida tenho que carrega-lo nas costas? A ti, tua família, teu maldito vício? - Bartolomeu ouve tudo sem levantar os olhos. - Primo, só tenho a ti para recorrer. O que será de minha mulher e meus filhos? Juro-te que nunca mais jogarei um só conto em nada! - O rapaz está descontrolado e replica aos gritos: - Já ouvi essa ladainha muitas vezes e não vou cair mais nessa conversa. Vá ao Barão e diga que não tem, não conseguiu, e ele que espere.
Ainda ontem a pobre de tua mulher veio até aqui pedir-me comida. Crês nisso? Tive que dar comida a tua família. Enquanto tu espezinha-me com dívidas de jogatina. Olhe para ti! Estás em estado lamentável, além de cheirar à vinho a distância. Sai já da minha casa. - dirige-se para a porta e abre com violência. Bartolomeu levanta-se lentamente, de seus olhos caem lágrimas, é duro ter que ouvir tudo o que esta ouvindo, apesar de ser a mais pura verdade. Faz ainda uma última tentativa. - Primo, pelos teus filhos, ajuda-me! Fernando continua parado à porta apontando a rua. - Fora daqui, vagabundo! Nunca mais me apareça, porco imundo! Sem mais nada dizer o homem retira-se lentamente ouvindo o baque violento da porta atras de si. Caminha tropegante enquanto as lágrimas embaçam a sua visão. Sabe que fez tudo errado. Sempre! Foi mulherengo, bêbado, viciado em jogos. tem a exata noção do péssimo pai e marido que é. Seu primo tem toda a razão em humilhá-lo. Sem perceber, depois de muito caminhar, está sobre uma ponte. Talvez seja essa a única saída. Faz uma pequena prece e atira-se nas águas profundas do rio. O espírito de Bartolomeu Custódio durante anos perambulou por sendas escuras e tortuosas. Passado um longo tempo e depois de rever erros e acertos de vidas anteriores, foi amparado por mentores que o encaminharam para a labuta do resgate cármico. Hoje, Trabalhador de nossos terreiros, e conhecido como o grande Exu Tiriri, elegante, educado e sempre com um profundo respeito para com seus consulentes, nem de longe lembra a triste figura apresentada neste texto.

Laroiê Exu Tiriri.


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quinta-feira, 15 de março de 2012

OSSÃE, O REI DAS FOLHAS


Orixá masculino de origem ioruba, cultuado no Brasil. Ligado as florestas como Odé. Ossãe possui, entretanto, atribuições bem diferentes: Cabe a ele cuidar das ervas medicinais e sagradas, e, por correlação, de todo e qualquer conhecimento técnico mais aprofundado. Apresentado costumeiramente como uma figura reservada e misteriosa, transmite a seus filhos um grande equilíbrio nas decisões e certo distanciamento quanto aos amigos, além de notável eficiência no trabalho, onde atende a tudo e a todos com perfeição.
Sua ligação primordial é com a vegetação, com as plantas, mas, não obrigatoriamente com os vegetais destinados a alimentação. Sua especialidade são as plantas medicinais, destinadas à cura  e as cerimônias  da religião, sendo a sua presença indispensável para a realização de qualquer procedimento de iniciação ou de curas nos rituais africanos.

Segundo as lendas, cada Orixá tem suas ervas e folhas particulares, circunscritas a seu campo específico de ação, mas tal poder é restrito perto do controle total que Ossãe tem sobre esse tipo de conhecimento. Toda a atividade de Ossãe é cercada de cuidados quase que ritualísticos. Ossãe é um Orixá extremamente poderoso, pois detém o saber que permite a realização da maior parte dos rituais.
Da mesma maneira que sua especialidade, apesar de muito importante, não faz parte das atividades cotidianas como a luta, a conquista, a comunicação e a caça, constituindo-se mais uma técnica, um ramo de conhecimento que é empregado quando necessário - o uso ritualístico das plantas para qualquer cerimonia litúrgica como forma condutora da busca de equilíbrio energético. Também não faz parte do conjunto de lendas de Ossãe um número de relações familiares e amorosas de destaque. geralmente é apresentado como um ser solitário, vagando nebulosamente pela floresta e não habitando nenhum lar específico.

No Batuque do Rio Grande do Sul, sua imagem é representada por um ser sem uma das pernas. Faz uso de muleta para se deslocar. Seu sincretismo em alguns terreiros é com São Roque ou ainda com São José, sua coe é verde claro e seu dia da semana e a segunda-feira.


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quarta-feira, 14 de março de 2012

APROVEITE A SEMANA DE XANGÔ AGODÔ

Axés e Magias:

Para retirar negatividade de sua casa, colocar em cima de dois pedaços de morim (sendo um vermelho e outro branco) 6 bolas de gude e um órogbó. de seis nós fazendo uma trocha, e passe por toda a casa despachando em um mato seco.

Simpatia da Semana: Para Proteção familiar

Os tempos estão difíceis, e a todo instante acontecem coisas ruins, então para proteger você e sua família, pegue uma cruz pequena de madeira, lave-a com água benta de igreja e pendure-a de forma discreta, atras da porta principal de sua casa dizendo: "Santo lenho do Senhor, meu protetor, nos proteja dos males e da dor." Faça com fé e proteja a todos.

Para Descarrego:

Tome banho com água de arroz e anil, em uma segunda-feira.

Para a casa não ser atingida por feitiçarias:

Pegue um pedaço de pano vermelho e pano branco, de um nó atras da porta de entrada e diga: Hevioso dewzan esu kwe (Hevioso proteja esta casa).

Magia de Xangô para a Justiça:

Cozinhe 250 gramas de feijão miúdo, tempere no azeite de oliva com cebola ralada e deixe esfriar. Corte meio quilo de quiabo bem miúdo e amasse com as mãos com água e azeite de oliva. Forre uma gamela com folhas de mamoneiro. Escreva o pedido, número do processo, etc. Coloque no fundo de uma gamela. Coloque de um lado o feijão miúdo e do outro o quiabo batido. Arrie esta oferenda em uma terça-feira de lua cheia, de manhã cedo embaixo de uma árvore bonita e faça seus pedidos à Xangô.

Simpatia para Conseguir Emprego:

Pegue um pano azul e coloque 3 sementes de girassol com 3 pétalas de rosa vermelha. Faça um embrulho mentalizando os seus desejos. Depois pegue este embrulho, vá até uma igreja e coloque-o nos pés de um santo de sua devoção. Faça com fé e boa sorte.
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terça-feira, 13 de março de 2012

TRADUÇÃO DAS REZAS (PARTE 3)

TOQUE AGERE

T - Èsù Lànà meu fó ou, Bàrà Lànà fun malé ou!
(Oh! Exu, abre o caminho me limpando, Oh! Bará, abre o caminho para os Orixás.)
R -  Èsù Lànà meu fó ou, Èsù Lànà fun malé !
(Oh! Exu, abre o caminho me limpando, Oh! Exu, abre o caminho para os Orixás.) 

TOQUE BATÁ

T - Èsù àselù, Èsù àselù àse bò, Èsù àselù àse bò, ou Yá níle ou!
(Exu guardião, guardião do poder retorne! Oh! Você logo estará na casa.)
R -  Èsù àselù, Èsù àselù àse bò, Èsù àselù àse bò, ou Yá níle ou!
(Exu guardião, guardião do poder retorne! Oh! Você logo estará na casa.)
T - Á là lùpa ou!
(Oh! Vem,abre, limpando com um golpe.)
R -  Á là lùpa sei máa!
(Oh! Vem,abre, limpando com um golpe contínuo.)
T - Èsù Bàrà o bebe ti riri loná, Bàrà o bebe ti riri loná, Bàrà èsù  ti riri loná, Èsù ti riri.
(Exu Bará, vá triunfar, que meus inimigos tremam de medo no caminho, Bará Exu 
 vá triunfar, que meus inimigos tremam de medo no caminho, Exu que tremam de medo.)
R - Bàrà Èsù ti riri loná, Èsù ti riri loná, Bàrà' Kè Bàrà Èsù Bàrá, Èsù ti riri Lonà.
(Bará Exu, que meus inimigos tremam de medo no caminho, Exu, que tremam no caminho, Bará venha da colina, Bará Exu, Bará Exu, que meus inimigos tremam de mrdo no caminho.)

TOQUE AGERE

T - Èsù dêem lànà' s ebí a se'bo
(Exu cria a abertura de caminho, faz a viagem que nós fazemos a oferenda.)
R - Èsù dêem lànà sim ebó.
(Exu cria a abertura de caminho para a oferenda)

G-IJÓ
(corte da dança)


segunda-feira, 12 de março de 2012

O SENHOR DO FOGO TE DEIXARÁ ATENTO E CAUTELOSO


Regência da Semana: Xangô Agodô
Xangô te deixará atento e cauteloso. Afaste-se de pessoas impacientes.

Simbologia:
Xangô é representado pelo Oxé Sokpe (Machado do raio). Dia: Terça-feira, bom para pesquisas.

Oferenda:
Amalá, com carne de peito, mostarda e 6 bananas.

Cores:
Vermelho e branco, Que simbolizam liderança e atraem sucesso.

Características do Orixá:
Xangô Agodô é justiceiro e revoltado, como a força do raio e do fogo. Sua saudação é Kaô-Kabecille.

Magia de Xangô para gamar uma Pessoa:
Escreva o nome da pessoa 6 vezes e coloque dentro de um coração de cera. Corte 6 quiabos em pedaços miúdos e amasse com as mãos com açúcar cristal e azeite de oliva, fazendo uma papa. Coloque esta papa dentro do coração de cera e tampe-o com algodão. Coloque este coração em um vaso de plantas e plante em cima uma muda de fortuna. Regue todos os dias fazendo seus pedidos com muita fé para xangô.

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domingo, 11 de março de 2012

ORAÇÃO DE SANTA CATARINA ( OBÁ )


Minha beata Santa Catarina, vós que sois benta como o sol, formosa como a lua e linda como as estrelas, entrastes na casa do Padre Santuário com 50.000 homens, ouviste todos os 50.000, vós os abradastes assim, peço-vos senhora, que abrandais o coração do fulano) para mim. ( Fulano) Quando tu me vires, espereis por mim, se não me vires, chorareis e suspirareis por mim, assim como a Virgem Santíssima chorou por seu bendito filho. ( fulano ) Debaixo do meu pé esquerdo, eu te arremato, seja com duas, seja com quatro, que se parta o coração de (fulano). (fulano) Se estiveres comendo não comereis, se estiveres conversando não conversareis, não sossegareis enquanto comigo não vieres falar, contar o que souber e dar- me o que tiveres, e me amareis entre todas as mulheres do mundo. Eu para ti parecerei uma rosa fresca e bela.
Que assim seja...

Rezar um Pai Nosso, uma Ave maria e um Glória ao Pai.