terça-feira, 17 de janeiro de 2012

APROVEITE A SEMANA REGIDA POR ODÉ :


Para Encantar a Pessoa amada:

Para encantar a pessoa amada triture folhas de funcho misturadas com alfazema e esfregue pelo seu corpo.

Simpatia da Semana : Para Afastar o Passado

Se o passado do seu amor te incomoda, pegue uma folha de papel e desenhe a lápis uma estrela, escrevendo por cima o seu objetivo. Dobre este papel e coloque embaixo da palmilha do seu sapato e deixe-o por um dia. No outro dia de manhã abra o papel, vá para a praia e jogue-o nas águas do mar. Faça com fé e xô incômodo.

Oração ao Glorioso Pai Odé

Ó meu bondoso e glorioso Pai Odé, caçador de glórias, bem aventuranças, aquele que nos traz a prosperidade, a fartura, o pão de cada dia, dai-nos a certeza que no nosso cotidiano à sua presença seja uma constante.
Amantíssimo Rei de Keto, peço, em nome de Orumilá, Ifá, Odudua e Orixalá, pela corte de Olorum, que traga a paz ao nosso tão agitado mundo, saúde aos nossos doentes, esperança as nossas crianças, paz e tranquilidade aos nossos idosos. Ilumine os nossos governantes, Pai, para que saibam fazer o melhor pelo nosso mundo.
Ó meu Pai Odé, perdoe nossas injúrias, nossas lamentações, dai-nos forças para seguir o nosso caminhar, resignação, Pai, para aceitar tudo aquilo que vós achais que mereçamos.
Que no meu caminho, no meu dia a dia, sua companhia seja mantida, que sua flecha corte todos os nossos males e inimigos ocultos.
Ao meu Pai Oxalá, que seu alá nos cubra de muita paz, saúde, prosperidade, amor e união.
OKÊ ODÉ OKÊ BAMO.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ODÉ TE DEIXARÁ OBJETIVO E AJUDARÁ EM REUNIÕES

Regência da Semana: Odé 16/01/2012

O Rei da caça te deixará objetivo e trabalhador. Ajudará em viagens e reuniões. Perdoe magoas e infidelidades.

Simbologia:
Odé é representado pelo Òfá (arco e flecha). Dia sexta feira. Bom para procurar emprego.

Oferenda:
Bisteca se porco, sobre miã-miã gordo misturado com feijão miúdo torrado.

Cores:
Azulão e branco, que simbolizam lealdade e  atraem fortuna.

Características do Orixá:
Odé é ágil e encantador. Na Umbanda comanda os Caboclos (entidades indígenas). No Candomblé é chamado de Oxosse e usa ìrùesim(cetro com pelos). Saudação: Okê Okê bâmo. Número 6.

Axés e Magias:
Para ter a proteção dos caboclos e atrair boa sorte, faça numa sexta feira um patuá com um pedaço de tecido azulão, contendo uma semente de girasol, 6 moedas correntes e uma fava, carregue o patuá no bolso.

Magia de Odé para casar:
Escreva o nome da pessoa a lápis com o seu por cima em um papel. Coloque este papel em um prato de papelão, colocando por cima dois corações de galinha, amarrados com uma fita azulão. Torre 250 g de feijão miúdo, misture-o com erva-doce e rapadura ralada e coloque por cima de tudo. Arrie esta magia numa sexta feira, debaixo de uma árvore bonita pedindo com fé a Odé.
Para entrar em contato com pai Guilherme d'Bará ligue para o fone 53 84352242 ou pelo emailbuzionline@hotmail.com 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

ODÉ O REI DA CAÇA

Odé, Rei de Keto, o Deus da caça, excelente pescador. Também conhecido como Oxóssi, ao contrario dos Orixás que lutam contra outros exércitos, seu combate é mais cotidiano, nas matas, pelos animais que vão garantir o sustento de sua família.
O conceito de liberdade e independência em Odé é muito claro em sua personalidade básica.
Odé, jovem guerreiro, tem o temperamento forte, determinado, estratégico e empreendedor.
Como Orixá, sua responsabilidade principal em relação ao mundo é a garantia da vida dos animais, para que eles possam ser caçados e a alimentação dos seres humanos esteja assegurada.

Uma das lendas sobre Odé diz que em uma de suas caçadas ele foi enfeitiçado e seduzido por Ossãe, apesar dos avisos de Yemanjá para que tomasse cuidado. Ficando, então sob o controle de Ossãe, ele afastou-se da família até que esse acabamento fosse quebrado. Retornando para a mãe, Odé, foi recebido por uma Yemanjá intransigente, irritada por não ter sido ouvida pelo filho. Rejeitado por ela, Odé voltou a floresta, para a influência de Ossâe, o que levou Ogum a se rebelar contra Yemanjá, censurando-lhe o comportamento para com seu irmão. Essa crise familiar foi responsável pelo descontrole de Yemanjá, que chorando desesperada, desmanchou-se em suas próprias lágrimas e transformou-se em um rio que corre para o mar.

Como não poderia deixar de ser, o símbolo de Odé é um arco e flecha; usa também um bodoque e lança; sua cor é o azulão e seu sincretismo no Rio Grande do Sul é com São Sebastião.




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UMA LENDA DE MARIA PADILHA


MARIA PADILHA DE CASTELLA

A Verdadeira História
A verdadeira história desta entidade ainda não esta comprovada de fato! Porque devido a várias histórias contadas e publicadas sempre deixa um fecho para inúmeras controversas. Já faz um bom tempinho que venho lendo e pesquisando histórias de Maria Padilha ou ( Maria de Padilha) que vem a ser o verdadeiro nome da amante rainha do Rei de Castela.
A história conta que Maria de Padilha era uma jovem muito sedutora que foi viver no reinado de Castela como dama de companhia de D. Maria, mãe de D. Pedro I de Castela ( O cruel ) . Sendo que esta moça tinha um tutor e este responsável e tio da bela donzela, que também era herdeira de sangue nobre, devido a influencia de seu pai na corte espanhola.
A lenda conta que D.Pedro de Castela já estava noivo de D. Blanca de Bourbom, uma jovem pertencente a corte francesa, que foi enviada para Castela para casar-se com D. Pedro porque este estava já para assumir o Reinado do pai, no ano 1350.
D. Maria de Padilha e o Rei de Castela depois de apresentados, fulminaram-se de paixão um pelo outro e mesmo as escondidas começaram um grande caso de amor, onde sabiam que jamais seria aceito pela família e tampouco pela corte.
D.Pedro I de Castela, não queria casar-se com D. Blanca de Bourbom , mais este casamento traria excelentes benefícios políticos para a corte Espanhola e Portuguesa.

Dizem que Maria de Padilha, trabalhava na magia com um judeu cabalista e que este a ensinou muitas magias e através destas... conseguiu dominar o Rei de Castela completamente. Conta a história que ela foi uma das grandes responsáveis pelo o abandono ou morte de D. Blanca de Bourbom pelo rei, digo abandono ou morte porque ainda é uma história muito confusa... alguns livros indicam que D. Blanca foi decapitada ao mando do Rei... outros apenas citam que ela foi abandonada por ele e devolvida a sua família na França por ele ter assumido seu amor por Maria de Padilha.
Maria de Padilha de Castela, depois do sumiço de D. Blanca passou a viver com o Rei em seu castelo em Sevilha, palácio que foi construído e presenteado a Maria de Padilha pelo seu amado rei de Castela.
Maria Padilha deu quatro filhos ao rei de Castela sendo que o primogênito morreu em idade tenra.
Ao contrario do que conta muitas histórias publicadas desta grande personagem, Maria Padilha morreu antes do Rei de Castela e este fez seu velório e enterro como de uma grande rainha, fez com que seu súditos beijassem as mãos do corpo falecido por peste negra e a enterrou nos jardins de seu castelo.
O Rei anunciou ao sei reinado que havia casado com D. Maria Padilha as escondidas e que queria que seu filhos com ela fossem reconhecidos como herdeiros do trono e que a imagem de Maria Padilha diante do povo fosse de uma Grande Rainha.
Um ano mais tarde o rei veio a casar-se de novo, mais nunca escondeu que o grande amor de sua vida tinha sido D. Maria Padilha, os contadores contavam que o feitiço lançado ao rei pela poderosa Padilha seria eterno!
Alguns anos depois o Rei de Castela veio a falecer pelas mão de seu meio irmão bastardo que acabou assumindo o seu posto de Rei de Castela... o corpo do rei deposto foi enterrado a frente da sepultura de sua Amada Rainha Padilha, onde foram construídos duas estátuas uma em frente a outra, para que mesmo na eternidade os amados nunca deixassem de olhar um pelo outro.


Dizem que a entidade de Maria Padilha, na sua primeira aparição, foi em uma mulata no tempo da corte de D.Pedro II no Brasil , onde esta mulata em um sessão da Catimbó... recebeu uma entidade muito feiticeira e faceira que se apresentou com D. Rainha Maria Padilha de Castela e contou a sua história e que depois dela outras Padilhas viriam para fazer parte da sua quadrilha.
Dizem que depois desta anunciação de D. Maria Padilha, ela só voltou mais uma ou duas vezes e que não mais chegaria na terra por sua missão presente estar cumprida, mais que por castigo de Jesus e por mando do Rei das Encruzilhadas ela ainda permaneceria na terra e confins, comandando a sua quadrilha de mulheres e exus para todos os tipos de trabalhos... Depois disto, nunca mais ninguém voltou a ver ou assistir a curimba desta poderosa entidade rainha das giras. Há muitos pais de santo e estudiosos que dizem que D. Rainha da Sete Encruzilhada é D. Maria Padilha de Castela, por ter sido ela eleita a Rainha de todas as giras, mais esta desconfiança, ainda não foi esclarecida, nem pelas próprias identidades que trabalham com D. Rainha das Sete Encruzilhadas. Esta desconfiança gerou porque D. Padilha de Castela se titulava Rainha e sempre saudava as sete encruzilhadas, onde morava o seu rei e de onde ela reinava.

"Sou guerreira, bonita e maliciosa... Minha coroa vem de Nazaré! Eu saúdo a Jesus Cristo pois ele é quem me deu o meu trono de fé! dizem que sou mulher de Belzebu, este nem mesmo sei quem é! Sou mulher de quem me de respeito e companheira de Exu Rei e Cipriano e também Exu Tararé!"
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

POMBA GIRA MARIA PADILHA, RAINHA DO CANDOMBLÉ


É a Rainha do reino da Lira. "Lira é uma cidade africana, que fica nas fronteiras orientais do Reino Baganda, de lá venho eu..." também conhecida como "Rainha do Candomblé" ou Rainha das Marias.
Rainha do Candomblé não pelo culto africanista aos Orixás, senão por ser essa palavra sinônimo de dança e música  ritual.
Devemos dizer que a Pomba Gira representa o poder feminino feiticeiro, comparável com as Iyami Oxorongá dos Iorubás. Ela pode ter muitos maridos, que se tornam seus escravos ou empregados.
Em terras bantas é originalmente chamada de "Aluwaia-Pombagira", esta é uma palavra africana de um idioma do povo banto (Angola), erroneamente confundido por algumas pessoas desinformadas com palavras do português "pomba um pássaro" e "gira, sentido de movimento circular".
Mulher de Exu Rei das 7 Liras ou Exu Lúcifer, como é conhecido nas Quimbandas.
É bonita, jovem, sedutora, elegante, feminina, mas também tem vidência, é certeira e sempre tem algum conselho para aqueles que estão sofrendo por um amor, mas também é usada sua força para desmanchar feitiços, para pedir proteção e curar varias doenças.
Mas não se engane, pois ela gosta de ser respeitada e admirada e é ponta de agulha, quem brinca com ela geralmente vai morar na sepultura.
Sua característica principal é ser uma Pomba Gira festeira, adora festas com ritualísticas e alegria, daí à ser chamada de Rainha do Candomblé.
Prefere bebidas suaves, vinhos doces, licores, cidra, champagne, anis, etc,,,
Gosta de cigarros e cigarrilhas de boa qualidade, assim também como lhe atrai o luxo, o brilho, destaque, flores e perfumes, usa sempre muitos colares, anéis, brincos, pulseiras, etc...
Descrevi, esta grande entidade em uma maneira geral, mas ela se divide em muitos outros caminhos:
Maria Padilha Rainha dos 7 Cruzeiros da Kalunga
Maria Padilha Rainha das 7 Encruzilhadas
Maria Padilha Rainha dos Infernos
Maria Padilha Rainha das Almas
Maria Padilha  das Portas do Cabaré
Maria Padilha Rainha das das 7 Navalhas
Maria Padilha Rainha da Figueira
Entre tantas outras...
Larôie Pomba Gira...
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

37 ANOS DE LUZ E MAGIA DE SEU TRANCA RUAS DAS ALMAS

Além da justa e merecida reverência aos Exus, as cerimônias religiosas organizadas por Pai Guilherme D'Bará, Pai Rodrigo D'Oxum e Pai Thiago D'Oyá são sempre momentos mágicos, carregados de muita beleza, emoção e religiosidade, tal como aconteceu na homenagem ao Exu Tranca Ruas das Almas, realizada no dia 7 de janeiro.
No amplo e belo salão, situado na rua Américo Vespúcio, dezenas de amigos foram recepcionados com muita amabilidade, fartura e conforto.
Marcaram a solenidade a esmerada decoração, a alegria dos amigos e clientes e, sobretudo, a contagiante energia da Falange de Exus.
Em nome de Exu Tranca Ruas das Almas, Pai Guilherme agradece o carinho dos amigos e o fundamental apoio dos filhos da casa.
ARUANDA DE EXUS

MESA DO BOLO

BAR

SANDRO E ADRIANA , RESPONSÁVEIS PELO BAR

ADRIANA E MARCIO, RESPONSÁVEL PELA BEBIDA

GIRA DE EXUS

SR. TRANCA RUAS DAS ALMAS (LUIS GUSTAVO D'OGUM)


A ILUMINAÇÃO,  UM DOS UPS DA FESTA

ATRAVÉS DA DANÇA OS EXUS EXPRESSAM A ALEGRIA E...

AGRADECIMENTO...

PELA HOMENAGEM RECEBIDA

CHEGADA DO SR. TRANCA RUAS DAS ALMAS DE PAI GUILHERME D'BARÁ



ESQUERDA: ELIZABETHI  D'YEMANJÁ, COM O EXU MAIORAL

PAI NECO D'BARÁ LODÊ, COM MARIA PADILHA

A DIREITA DE PRETO, MÃE SIONE D'OGUM COM O EXU REI DAS 7 ENCRUZILHADAS

ANA PAULA D'OXALÁ COM MARIA PADILHA DAS ALMAS

TRANCA RUAS E PADILHAS

ROSELI  D'OYÁ COM MARIA PADILHA DAS ALMAS

SHOW À PARTE: MARIA PADILHA E TRANCA RUAS



NO CENTRO DIONATAN D'YEMANJÁ COM EXU 7 ENCRUZILHADAS






APROVEITE A SEMANA REGIDA POR OGUM ADIOLÁ

Para atrair felicidade:
Para atrair felicidade e saúde, faça um defumador, com salsa triturada, louro, chá preto e noz-moscada ralada, da porta da entrada para dentro. Despache as sobras debaixo de uma árvore frondosa.

Para ter sucesso em entrevistas e emprego:
para ter sucesso em entrevistas e empregos faça um breve com folhas de café e 7 sementes de laranja. Leve na bolsa no dia da entrevista.

Simpatia da semana para afugentar o Baixo Astral:
Começo do ano, vamos mandar as tristezas e saudades para bem longe, pegue um sapatinho de crochê de bebe na cor branca e coloque dentro 7 balas de coco. Vá em uma igreja e assista à uma missa segurando o sapatinho, e quando o padre der o Amem final diga: "é o fim de tristezas e saudades". Deixe o sapatinho em uma grama. Faça com fé e xô tristeza.


Oração de Ogum:
Ogum rogai por nós,
Nunca ficará sem resposta aquele que nele crer... Ogunhê meu pai!!!!

Eu andarei vestido e armado com as armas de Ogum para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem e pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.
Glorioso Ogum, em nome de Deus, estenda-me seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Espirito Santo.
Que assim seja, Amem.




                                         Muito além da lenda

Ali, na divisa de Tramandaí e Imbé, na barranca do rio, morava o negro Roberto de Ogum Adiolá. Jovem bonito e faceiro, fazia graça por onde passava. Ele era muito considerado pelos moradores da vila, em sua maioria como ele, pescadores. A pesca era artesanal, dispunham de pequenos barcos para adentrarem ao mar. Ali não tinha moleza, o neguinho tinha que ser macho pêlo duro para enfrentar a barra que ligava o rio ao mar, não tinha escolha, era pegar ou largar e todos os dias colocar a vida em jogo. Saíam para o mar sem saber se iriam voltar.
Para ele, um meninão de corpo atlético, em cima dos seus dezoito anos, aquilo tudo não passava de uma brincadeira, dominava o mar e tinha por ele respeito e uma certa cumplicidade. Ria ao ser perguntado se tinha medo.
- Eu? Filho de Ogum Adiolá, escravo de Yemanjá, protegido por Oxalá, o senhor das águas, como posso ter medo de viver no paraíso?
Mas seus companheiros não pensavam assim, sabiam que muitos já haviam partido para os braços de Yemanjá e ali, naquela colônia de pescadores, viúvas e crianças sem pai eram testemunhas que aquilo não era trabalho digno de certeza, todo o dia era considerado o último. Sair sim, voltar? Talvez.
E a lenda? Bem, a lenda conta que Ogum Adiolá, apaixonado por Yemanjá, pediu-a em casamento e, por obter um sonoro não, havia se jogado ao mar e sucumbira na sua imensidão. Ora bolas, lenda! Poupem-me das tais lendas!
E mais uma lenda conta que por não aceitar um não, Ogum Adiolá passara a viver as margens do mar só para estar perto de sua amada. Lenda e mais lendas, nada além de lendas.
E assim vivia o negro Roberto de Ogum Adiolá, conhecendo as lendas e estórias de Yemanjá, mas, como ele mesmo dizia: - Se eu não conheci ainda a mulher que vai gerar meus filhos, por que razão vou me preocupar em morrer no mar? Meu Pai Ogum tem o mar como pradaria onde galopa em seu cavalo branco, o mar é campo onde meu Orixá vence suas demandas, e eu navego com maestria o timão de meu barco como ele maneja sua espada.
Toda a manhã lá estava ele de bermuda branca, descalço e sem camisa, trazendo no pescoço sua guia azul feita com as pedras extraídas do fundo do mar, cumprindo o ritual de ajoelhar e pedir a bênção de Yemanjá ao aventurar-se na busca dos peixes para vender no mercado, e assim, dar o sustento aos seus pais e irmãos menores.
E foi naquele ano que, durante uma festa de Yemanjá no dia 02 de fevereiro, que ele a viu no meio da procissão, carregando uma garrafa de plástico com uma vela azul dentro e cantando para Yemanjá. Era a Janaína de Yemanjá. Cabrocha, mistura de negro e branco, uma mulata de encher os olhos, boca carnuda, cabelos encaracolados, pele de um bronze dourado e olhos brilhantes... Era ela uma filha de Yemanjá, para não dizer a própria.
Passou a noite toda a admirando e voltou para casa carregando uma certeza: - Esta será a mãe de meus filhos, e isso, minha Mãe Yemanjá, a dos pedidos impossíveis mas sempre realizáveis, me dará.
Na segunda vez que a avistou foi numa festa de batuque. Ao vê-la ocupada pela doce Mãe Yemanjá, soube a quem pedir a realização de seu sonho. Bastava querer muito, do fundo de seu coração e fazer o pedido: casar com ela.
- Ela é o meu bem querer, a quem amarei eternamente. Oxéu, minha mãe, oxéu, minha bela Iabá, Oxéu, minha Mãe Yemanjá. Assim seja.
E no verão daquele ano juntaram os trapos e foram morar num pequeno casebre na vila dos pescadores, numa casinha branca cercada por Paineiras e Coqueiros que gemiam nas noites frias de inverno, época em ela poderia tê-lo por mais tempo. No verão o trabalho era dobrado, nos períodos em que era proibida a pescaria, ele trabalhava como ajudante de pedreiro e pintor.
A juventude daqueles dois resplandecia de alegria e felicidade, mas, como todo jovem, tinham seus anseios: ela por um filho que demorava a chegar e ele, querendo oferecer uma vida mais digna para a sua princesa, pecava por se atirar no trabalho feito louco, deixando-a muitas vezes sozinha, num período de espera e com a solidão amargando seu coração.
Um filho que não chegava e um marido sempre ausente não faziam parte de seu sonho, não desejava isso nem para a sua pior inimiga. Ele era um meninão que nas folgas do trabalho queria estar com os amigos, jogando futebol ou surfando sobre as ondas do mar, como a cavalgar o mar bravio, com a felicidade estampada no rosto e nos olhos.
Ele passava dias dentro do mar e ela a caminhar pela praia, tentando se comunicar com ele através das ondas que iam e vinham a espraiar na praia sua espuma branca, molhando seus pequenos pés. Ela, uma menina a brincar com conchas e pequenos cavalos marinhos, carregava dentro do peito um coraçãozinho apertado pela saudade. Ali ela conversava com sua Mãe Yemanjá, fazia seus pedidos, comungava com seus sonhos e entoava o canto da sereia para agradar seu Orixá, sua doce iabá, sua Mãe Yemanjá.
E, numa noite de total abandono saiu e, encontrando algumas amigas, foi passear na pequena pracinha e saborear uma taça de sorvete. Foi o que bastou para as fofoqueiras de plantão deitarem falação sobre sua moral e conduta, afinal, sendo ela mulher de pescador, não era recatada e aproveitava a ausência do companheiro para passear.
Pra quê! Quando o negro Roberto de Ogum Adiolá desembarcou, viu-se cercado pelas cobras a pedir: - Abre o olho, meu filho, abre o olho. Foi este quadro de horror que ele encontrou ao chegar em terra. Como quem conta um conto aumenta um ponto, o dele significava traição, sem-vergonhice e deslealdade, coisa que nunca aconteceu em sua vida e foi com tristeza que ele ouviu, calou e consentiu. Daquele dia em diante sua vida não foi mais a mesma, passou a beber e a perambular pela praia no maior desespero, a gritar: - Aonde foi que eu errei para passar por esta prova, minha Mãe Yemanjá?
A bela Janaína de Yemanjá, sem saber de nada, vivia preocupada com seu companheiro, até que sua Mãe de Santo a procurou. Queria ajudá-lo, mas sentia-se sem forças e não compreendia a causa de tanta revolta. Ela também se perguntava: - Aonde foi que eu errei?
E foi na mesa de búzios que ela teve a revelação e passou a conhecer as lendas de seu Orixá Yemanjá. Seu companheiro era filho de Ogum Adiolá, o Ogum apaixonado por Yemanjá, quem refutara seu amor. Mas ela, Janaína, queria este amor e tudo faria para conservá-lo, lutaria por ele e, se preciso fosse, morreria por este amor.
Negro Roberto de Ogum Adiolá, o pescador, sofrendo a dor da traição, deixou-se levar pelas maldades e difamações que amarguraram seu coração. Tinha vontade de falar com ela, mas os votos de confiança mútuos não permitiam isso, seria um desrespeito ao amor conclamado. Tudo não passava de conjeturas e expô-las, seria uma afronta. “Mas um dia eu saberei a verdade, mesmo que isso me faça perdê-la”. Dúvida cruel a remoer mente e coração.
Uma noite de chuva e temporal, quando os raios rasgavam o céu e o mar revolto vinha bater na praia, o negro Roberto de Ogum Adiolá, podre de bêbado, arrastou a embarcação e navegou em busca da morte, o bálsamo dos desesperados, o alivio dos corações sofridos, o alento dos oprimidos e a libertação para os que amam e sofrem a dor de uma traição.
A notícia de sua ida para o mar chegou a casa de Janaína. Agora ela entendia o que a queda dos búzios havia anunciado... Então era verdade, seu companheiro sofria por uma suposta traição sua e pelo medo de perdê-la. Como uma forma de atingi-la, resolvera pôr fim a vida.
- Não, isso não está certo e vou agora mesmo resolver esta quizila. Ao abrir a porta, recebeu no corpo a golfada do vento e da chuva fria. Uma multidão de pessoas a cercaram, eram os companheiros de pesca de seu marido e um bando de viúvas desesperadas que sabiam que ele nunca mais voltaria, que o mar o havia tragado. Como o seu Chico, um pescador antigo, dizia: - As águas do mar não são árvores, por isso não possuem galho. Ali entrou, ali sucumbiu.
Janaína correu até a praia e, no meio daquela tempestade, avançou mar adentro. Possuída pela revolta, queria, se possível, ir até o fundo do mar buscar seu marido, não entregaria facilmente o sentido de sua vida, viera ali para lutar e ela estava apenas começando. Gritou para sua Mãe Yemanjá: - Se eu não o trai, se eu não menti, se ele me ama, qual a explicação para tudo isso? Não, minha Mãe Yemanjá, tu não vai fazer isso comigo, não vai mesmo.
Algumas pessoas ainda tentaram dissuadi-la, pedindo para que retornasse para casa e ficasse na espera de noticias. Ninguém se atrevia a enfrentar o mar. Na noite escura como um breu não se enxergava um palmo a frente do nariz, a não ser quando os raios explodiam sobre suas cabeças. Mas ela continuou firme, dali não arredaria o pé, não desistiria, era obstinada e sua Mãe Yemanjá sabia o quando ela era sincera em seu amor. Não nascera para perder, ainda mais se tratando de seu amado.
Sentada na areia, cochilou. Foi quando a tempestade aplacou, o vento parou e o mar doce veio beijar seus pés. Despertou assustada, sem saber que horas eram, mas, pela fome e pela dor que remoíam seu corpo, pressentiu que passava do meio-dia. Tinha que voltar para casa e saber se os homens haviam entrado no mar para procurá-lo. Estava pensando em ir até a capitania dos portos onde as grandes lanchas faziam o socorro, quando viu um jipe aproximar-se, eram os colegas de seu marido. Eles não precisaram falar nada, traziam a reboque o barco que levara o negro Roberto para o fundo do mar.
Aproximou-se e acariciou o barco, passando a mão no local onde em muitas noites de lua cheia os dois sentavam para admirar as estrelas e namorar. Constatou que o barco estava intacto, nenhum arranhão na pintura. “Se o barco está assim, é sinal que não foi a tempestade que o matou, mas sim ela, aquela maldita, que veio cumprir sua lenda e me roubar a única coisa que eu tenho na vida”.
- Maldita sejas tu, minha Mãe Yemanjá. Mas tu me paga, eu não saio daqui sem o meu marido, tu tens que me devolver ele como eu te entreguei, forte e sadio, não vim aqui para buscar um cadáver. Só saio daqui com ele e nada me fará desistir, nem mesmo a morte.
As amigas falaram até cansar e finalmente, quando todos partiram para as suas casas, ela sentou e chorou, vertendo todas as lágrimas do mundo, deixando vazar o desespero e a dor que a sufocavam.
“Chora, Janaína, chora que o mar vai te encantar. Chora, meu golfinho, chora que o mar vem te abençoar. Chora, Janaína, chora que o mar vem te beijar...” Assim cantou o poeta e assim caminham as filhas da mais doce das iabás, elas, as sereias de Abéokutá, a morada de Yemanjá.
À noite chegou e o vento frio que soprava do mar calou fundo naquele corpo mirrado, vestido com o fino morim que nada cobria. Ela não sentiu frio nem fome, apenas o vazio da alma que buscava compreender o inexplicável, o fim inexorável da vida, o que estava escrito, a lenda, o sentido da vida.
Na praia as pequenas gaivotas buscavam o alimento para seus filhinhos e retornavam para seus ninhos. Elas dividiam a praia com alguém que não tinha mais ninho, não tinha para quem retornar, a não ser para uma casa vazia e sem sentimentos. Não, ela não voltaria de braços vazios, permaneceria ali até o fim de seus dias. Sua Mãe Yemanjá não podia querer isso dela.
Não aguentando mais, tombou, e seu corpo encontrou como cama a areia e as águas de Yemanjá. Ali, ela, sua Mãe Yemanjá, apareceu e lhe falou: - Eu o levei, mas não como está escrito na lenda, mas sim atendendo um pedido dele que não queria mais viver. Não vim buscá-lo, simplesmente o recebi em meu reino de Abéokutá.
“Então foi assim que tudo se passou. Este infeliz não me perguntou como as coisas se passaram e me deixou sem uma explicação. Não, isso não vai ficar assim, não vou deixar como está, ele sequer me fez um filho e me abandona a seu bel-prazer”.
Levantou-se e, determinada, avançou mar adentro. Primeiro entoou com todas as forças de seus pulmões e com todo o amor do mundo o canto de seu Orixá e a seguir se prendeu a gritar a dijina de sua Mãe Yemanjá, nome que recebera de sua Mãe de Santo quando de sua iniciação. Sentindo-se com a força e o poder de seu Orixá, evocou seus cavalos marinhos. Sim, onde ele estivesse os cavalos e os golfinhos o encontrariam e trariam de volta, e foi como tudo aconteceu. O mar calmo se agitou, bramiu e, fustigado pelo vento, avançou sobre ela e a engoliu, arrastando-a para o fundo. Mas ela era Janaína, a filha de Yemanjá, portanto, não cederia a sua força. No último momento abriu a boca e soltou o grito, um som que só os golfinhos conhecem, e momentos depois viu-se cercada por seus cavalos que chegaram para socorrê-la, e ela, Janaína, montou e cavalgou sobre as ondas em busca de seu amor.
Na madrugada do dia seguinte, quando os pescadores iam entrar no mar, eles viram algo sair dele. Era Janaína de Yemanjá que, cavalgando seus cavalos, trazia na garupa o seu amado, negro Roberto de Ogum Adiolá, a sorrir na plenitude da felicidade.
Bem, toda a lenda tem sua exceção, inclusive a que conta que Ogum Adiolá amava uma Yemanjá que não queria seu amor, motivo pelo qual o mar o havia tragado. Mas esta Janaína queria seu homem e, com sua força e obstinação, não desistiu tão facilmente, lutara e, vitoriosa, trouxera de volta o homem que lhe daria uma barriga.
Sim, esta Janaína seria conhecida por estar além da lenda. Sim, era ela, a Janaína, a filha de Yemanjá.



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