quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

PRECE DE CÁRITAS


Prece de Cáritas


    Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!
    Deus, dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.
    Pai, dai ao culpado o arrependimento,ao espírito a verdade, à criança o guia e ao órfão o pai!
    Senhor, que a Vossa bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhece, esperança para aquele que sofre.Que a bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.
    Deus! Um raio, uma faísca do Vosso amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.
    E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.
    Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, Oh Poder!, Oh Bondade!, Oh Beleza!, Oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.
    Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde de refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.
    Assim seja.

sábado, 12 de janeiro de 2013

A HISTÓRIA DE SÃO JORGE


Em torno do século III D.C., quando Diocleciano era imperador de Roma, havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge. Filho de pais cristãos, Jorge aprendeu desde a sua infância a temer a Deus e a crer em Jesus como seu salvador pessoal.
Nascido na antiga Capadócia,região do centro de Anatólia que atualmente pertence à Turquia,no ano de 275,  Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe, após a morte de seu pai. Lá, ao atingir a adolescência entrou para a carreira das armas e  foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade - qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial em Nicomédia, exercendo a função de Tribuno Militar.
Nesse tempo sua mãe faleceu e ele tomando posse das suas riquezas distribuiu-as aos pobres.  
Por essa época, o imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os  ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.
Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da VERDADE. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: "O QUE É A VERDADE ?". Jorge respondeu: "A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e nele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da verdade."
Como São Jorge mantinha-se fiel a Jesus, o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Jorge sempre respondia: "Não, imperador ! Eu sou servo de um Deus vivo ! Somente a Ele eu temerei e adorarei". E Deus, verdadeiramente, honrou a fé de seu servo Jorge, de modo que muitas pessoas passaram a crer e confiar em Jesus por intermédio da pregação daquele jovem soldado romano. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito em seu plano macabro, mandou degolar o jovem e fiel servo de Jesus no dia 23 de abril de 303.
Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lida (antiga Dióspolis) cidade em que crescera com sua mãe. Lá ele foi sepultado e mais tarde o imperador cristão Constantino mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fieis, para que a devoção ao santo fosse espalhada por todo o Oriente.
A devoção a São Jorge rapidamente tornou-se popular. Seu culto se espalhou pelo Oriente e, por ocasião das Cruzadas, teve grande penetração no Ocidente. Pelo século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge.
O santo é reconhecido como padroeiro em Gênova, Portugal, Inglaterra, Catalunha, e aqui no Brasil, da cidade do Rio de Janeiro.
LENDA
Na  cidade de Sylén, na Líbia, Jorge, depos de de viajar durante muitos meses,  encontrou um pobre eremita que lhe disse que toda a cidade estava em sofrimento, pois lá existia um enorme dragão cujo hálito venenoso podia matar toda uma cidade, e cuja pele não poderia ser perfurada nem por lança e nem por espada. O eremita lhe disse que todos os dias o dragão exigia o sacrifício de uma bela donzela e que todas as meninas da cidade haviam sido mortas, só restando a filha do rei, Sabra, que seria sacrificada no dia seguinte ou dada em casamento ao campeão que matasse o dragão.
Ao ouvir a história, Jorge ficou determinado em salvar a princesa. Ele passou a noite na cabana do eremita e quando amanheceu partiu para o vale onde o dragão morava. Ao chegar lá, viu um pequeno cortejo de mulheres lideradas por uma bela moça vestindo trajes de pura seda árabe. Era a princesa, que estava sendo conduzida pelas mulheres para o local do sacrifício. São Jorge se colocou na frente das mulheres com seu cavalo e, com bravas palavras, convenceu a princesa a voltar para casa.
O dragão, ao ver Jorge, sai de sua caverna, rosnando tão alto quanto o som de trovões. Mas Jorge não sente medo e enterra sua lança na garganta do monstro, matando-o. Como o rei do Marrocos e do Egito não queria ver sua filha casada com um cristão, envia São Jorge para a Pérsia e ordena que seus homens o matem. Jorge se livra do perigo e leva Sabra para a Inglaterra, onde se casa e vive feliz com ela até o dia de sua morte, na cidade de Coventry.
De acordo com a outra versão, Jorge acampou com sua armada romana próximo a Salone, na Líbia. Lá existia um gigantesco crocodilo alado que estava devorando os habitantes da cidade, que buscaram refúgio nas muralhas desta. Ninguém podia entrar ou sair da cidade, pois o enorme crocodilo alado se posicionava em frente a estas. O hálito da criatura era tão venenoso que pessoas próximas podiam morrer envenenadas. Com o intuito de manter a besta longe da cidade, a cada dia ovelhas eram oferecidas à fera até estas terminarem e logo crianças passaram a ser sacrificadas.
O sacrifício caiu então sobre a filha do rei, Sabra, uma menina de quatorze anos. Vestida como se fosse para o seu próprio casamento, a menina deixou a muralha da cidade e ficou à espera da criatura. Jorge, o tribuno, ao ficar sabendo da história, decidiu pôr fim ao episódio, montou em seu cavalo branco e foi até o reino resgatá-la. Jorge foi até o reino resgatá-la, mas antes fez o rei jurar que se a trouxesse de volta, ele e todos os seus súditos se converteriam ao cristianismo. Após tal juramento, Jorge partiu atrás da princesa e do "dragão". Ao encontrar a fera, Jorge a atinge com sua lança, mas esta se despedaça ao ir de encontro à pele do monstro e, com o impacto, São Jorge cai de seu cavalo. Ao cair, ele rola o seu corpo, até uma árvore de laranjeira, onde fica protegido por ela do veneno do dragão até recuperar suas forças.
Ao ficar pronto para lutar novamente, Jorge acerta a cabeça do dragão com sua poderosa espada Ascalon. O dragão derrama então o veneno sobre ele, dividindo sua armadura em dois. Uma vez mais, Jorge busca a proteção da laranjeira e em seguida, crava sua espada sob a asa do dragão, onde não havia escamas, de modo que a besta cai muito ferida aos seus pés. Jorge amarra uma corda no pescoço da fera e a arrasta para a cidade, trazendo a princesa consigo. A princesa, conduzindo o dragão como um cordeiro, volta para a segurança das muralhas da cidade. Lá, Jorge corta a cabeça da fera na frente de todos e as pessoas de toda cidade se tornam cristãs.
dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu representaria a província da qual ele extirpou as heresias.
São Jorge, a Lua e os Orixás
A ligação de São Jorge com a lua é algo puramente brasileiro, com forte influência da cultura africana. Em Salvador, Bahia, o santo foi sincretizado a Oxossi. Na religião da umbanda, o santo é associado a Ogum.
 Oração de São Jorge
Chagas abertas, sagrado coração todo amor e bondade, o sangue do meu senhor Jesus Cristo no meu corpo se derrame, hoje e sempre. Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge, para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem, e nem em pensamento eles possam ter para me fazerem o mal, armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças quebrarão sem meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem. Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder da sua santa e divina graça, a Virgem Maria de Nazaré me cubra com seu sagrado e divino manto, me protegendo em todas as minhas dores e afliçoes e Deus com a sua divina misericordia e grande poder seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos, e o glorioso São Jorge em nome de Deus, em nome de Maria de Nazaré , em nome da Falange do Divino Espirito Santo estenda-me o seu escudo e as suas armas poderosas defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza dos meus inimigos carnais e espirituais , e de todas as suas más influencias, e que debaixo das patas de seu fiel Ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a Vós sem se atreverem a ter um olhar sequer que me possa a prejudicar. Assim seja com o poder de Deus de de Jesus Cristo e da Falange do Divino Espirito Santo, Amém.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

CURIOSIDADES



Se você bate palma porque todos batem, bate cabeça por todos batem, canta porque todos cantam, faz saudações porque todos fazem, alguma coisa está errada e a partir de agora vamos tratar sobre essas curiosidades, que na verdade deveriam ser mais que conhecidas.
Começamos por bater cabeça. É nesse momento que você “entrega” ao seu Orixá sua cabeça pedindo à ele que limpe seus pensamentos, que faça de você um instrumento do bem para que possa praticar a caridade e lhe prepare para que a partir daquele momento tudo fique claro e que você consiga dar o melhor de si, sabendo distinguir cada coisa com sabedoria, sempre agradecendo a proteção que lhe é dada por ele. Pode também pedir ao Orixá que lhe ajude em determinada situação, claro que não se esquecendo do bom senso.

Todos se perguntam: porque bater palmas nos trabalhos?
Tudo começa no atabaque. Ele é a firmeza do terreiro, é de onde se abre a porta para o outro lado. A necessidade do atabaque é grande, pois nele se concentra a vibração dos trabalhos, onde os ogãns se concentram e recebem as instruções de quais pontos devem cantar. Por isto não se deve “atravessar” os ogãns, pois se eles são atrapalhados perdem, ou melhor, quebram esta vibração.
Cantamos para chamar os Orixás e guias para trabalharem. Como o atabaque abre a porta, o canto é o “passaporte” para o mundo espiritual, é quando entramos nessa mesma sintonia. As palmas são a liberação das energias, pois nossas mãos são as fontes dessa energia. A necessidade de cantar e bater palmas vai bem além de simplesmente fazer barulho. Enquanto cantamos e batemos palmas expandimos nossos campos vibratórios conseguindo assim a mesma sintonia, energia e vibração.

Emmanuel é o nome do espírito que tutelou a atividade mediúnica de Chico Xavier
Ao tempo da passagem de Jesus pela terra chamou-se Públio Lentulus, senador romano. Encontrou-O pessoalmente solicitando-Lhe auxílio para a cura de sua filha Flávia que estava leprosa. Sua esposa tornou-se cristã e morreu no circo.
Desencarnou em Pompéia no ano 79 vítima das lavas do Vesúvio.

Você sabia que a pemba , originalmente, era confeccionada com uma espécie de caulim importado da África?
Pela dificuldade de importação, houve uma substituição do material original por outros materiais encontrados no Brasil, tais como o calcário, a tabatinga, o carbonato de cálcio, etc.
Sua confecção é muito simples: basta misturar uma pequena quantidade do material, acima citado, triturado com um pouco de goma arábica e a seguir, com a mão, dá-se a forma desejada e deixa-se evaporar a água.
Caso se queira colorida, é só juntar na solução de goma, a anilina ou tinta da cor desejada.

Você sabia que a umbanda teve sua origem há milhares de anos atrás na Lemúria?
A Lemúria foi o terceiro continente berço da terceira raça raiz ou lemuriana.
Hoje desaparecido, este continente abrangia as Américas e a África, unidas. No centro do continente da Lemúria, onde hoje é o Planalto Central Brasileiro, surgiu a umbanda.
O continente modificou-se inúmeras vezes dando origem à Atlântida que submergiu sob as águas do grande dilúvio, pelo ano de 9564 a. C. restando apenas a ilha de Poseidonis.
A umbanda era o conhecimento integral, religião, filosofia e arte reunidas em um único bloco de conhecimento.
A umbanda não é apenas a revelação das Leis Divinas e dos conceitos integrais da verdadeira natureza espiritual do homem. È o próprio elo de ligação vivo entre o que é espiritual e o que é reino natural.

“Assim como Maria acolhe o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou conforto.”
Essa foi a explicação dada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas para o nome da primeira instituição de Umbanda criada no Brasil, a Tenda Nossa Senhora da Piedade, dirigida por Pai Zélio de Morais.
A tenda funciona até os dias de hoje e atualmente tem à frente a filha de Zélio, Mãe Zilméia.

Você sabia que todas as escolas tradicionais antigas ensinaram a lei da reencarnação, ocorrendo o mesmo com a maior parte das religiões pré-cristãs?
Que este ensinamento não desapareceu até o século VI, no ano de 553, quando se reuniu o Concílio de Constantinopla, ao qual não assistiu mais que uma minoria de padres da Igreja e que, debaixo das ameaças do imperador Justiniano, da antiga Roma, pouco favorável a Orígenes, ali se deliberou negar e jamais aceitar a reencarnação?

Você sabe por que usamos branco nos trabalhos de umbanda?
Quando a umbanda foi anunciada em 16 de novembro de 1908, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, o mesmo, ao fixar as bases e diretrizes deste segmento religioso expôs que todos os médiuns utilizariam roupas brancas, porque ela transmite a sensação de assepsia, calma, paz espiritual, serenidade e principalmente igualdade.
Encontramos também uma razão cientifica para o uso da cor branca na umbanda, através das pesquisas de Isaac Newton.
Este grande cientista do século XVII provou que a cor branca contém dentro de si todas as demais cores existentes. Portanto a cor branca tem razão de ser na umbanda, pois temos que lembrar que a religião que abraçamos é capitaneada por Orixás, sendo que Oxalá, que tem a cor branca como representação, supervisiona os Orixás restantes. Assim como a cor branca contém dentro de si todas as demais cores, a irradiação de Oxalá contém dentro de sua estrutura cósmico-astral todas as demais irradiações (Oxossi, Ogum, Xangô, etc.)

Você sabia que a Prece de Cáritas foi psicografada em 25 de dezembro de 1873 (no Natal) por uma médium chamada Madame W. Krell, no círculo espírita de Bordeux, na França?
Foi ditada por um espírito de nome Caridade e acredita-se que esse espírito foi no passado a figura de Irene, que foi martirizada em Roma no ano 305, quando das perseguições do Imperador Diocleciano. Ela e suas irmãs foram convertidas ao Cristianismo. Diocleciano determinou perseguição aos cristãos, e ela foi acusada de possuir “livros proibidos” e, por isso mesmo, foi condenada à fogueira, enquanto suas irmãs foram degoladas à sua frente. Canonizada por sua religião, a posteriori, veio a ser conhecida como Santa Irene.

Você sabe o que é um adjá?
Adjás são sinetas rituais feitas, normalmente, de metal ou latão. São utilizados durante alguns rituais, como o ritual do bate-cabeça ou o momento em que os médiuns incorporam os guias ou os Orixás, servindo, nestes casos, como um orientador. Seu som também serve como um orientador para o Orixá que está incorporado, já que o Orixá não enxerga.

Você sabe qual a importância da saudação na umbanda?
O umbandista respeitoso e religioso deve sempre saudar as forças que sustentam o centro. Primeiro ao chegar saudar as forças dos Senhores Guardiões assentadas na Tronqueira agradecendo a permissão de sua entrada naquela casa santa, a guarda, a força e a proteção que eles realizam.
Segundo, saudar o Congá ou o altar, local sagrado de um centro que deve ser respeitado, pois é onde se realiza a grande troca de energia.
Terceiro e não menos importante, saudar e tomar a benção de seu Pai ou Mãe espiritual que é a voz, a força e o intermediário dos Orixás aqui no plano material.
Ao sair o médium deve ter as mesmas atitudes, pois está saindo do “sagrado” para o “profano”.

Você sabe o que significa o ato de bater a cabeça, colocando-se de bruços e deitado em frente ao congá?
Significa a solicitação da benção do seu Pai Espiritual e do seu Orixá, num ato de humildade, obediência e resignação aos preceitos religiosos e a aceitação da casa e seus mentores como seus condutores no caminho dos serviços de Deus e de nossa religião.
É o reconhecimento de sua opção religiosa.
As mãos voltadas com as palmas para cima, no mesmo nível da cabeça, é o que vai complementar o recebimento das emanações vibratórias positivas de Deus e dos Orixás da casa.
Neste instante deve o filho e médium, em uma prece mental rápida, pedir auxílio aos mentores espirituais, a Deus e aos Orixás, para um melhor desempenho de suas funções mediúnicas.

Alguidar: você sabe de onde vem a palavra?
Alguidar é uma palavra de origem árabe, de "al-gidâr". O utensílio, largamente usado nas casas portuguesas na cozinha e onde mais se precisasse de uma bacia larga e funda, chegou à Península Ibérica pelas mãos dos conquistadores árabes. 
É bom lembrar que os africanos do Norte do continente tiveram contato com os mesmos árabes a caminho da Europa. Do Norte da África vêm os grupos escravizados que, mais adiante, levaram a cabo a Revolta dos Malês, em Salvador, no ano de 1835. "Malê" é o termo que se utilizava para referir-se aos escravos muçulmanos.
Na umbanda é usada para entregas de "comida de santo", despachos,  acender velas, depósito de banhos, etc. É feita de barro e tem vários tamanhos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

AS NAÇÕES


Quando os africanos chegaram à América nos meados de 1549 e 1850, por meio do tráfico negreiro, trouxeram suas tradições culturais e religiosas de várias partes daquele continente. Para continuar cultuando seus Orixás e manter a tradição religiosa tiveram que realinhar os cultos, aproveitando as influências dos diversos grupos étnicos: Yorubá, Fon, Ewe, Mahi, Banto, etc.
Para o negro, que era tirado de sua terra natal e trazido ao novo continente sem a família, sem nome e sem pátria, restou a convivência com vários grupos étnicos, vindos de várias tribos africanas que tinham diferentes idiomas e crenças. Esse intercâmbio de culturas entre os escravos fez nascer aqui uma nova religião, que apesar de sofrer grandes transformações e ser proibida pelos senhores, conseguiu sobreviver e se desenvolver. Os ritos de iniciação, os cânticos originais e o culto aos antepassados foram mantidos, preservando diversas tradições da religiosidade africana. Com o passar do tempo os cultos foram se transformando e se subdividindo, mantendo mais ou menos fidelidade às suas origens. Além da contribuição com seus rituais religiosos, os negros contribuíram também com a música, dança, alimentação, língua e outras manifestações culturais como o samba, capoeira, etc.
Os principais tipos de Nações trazidas ao Brasil foram: Rebolô, Angola, Mina, Cabinda, Quiloa, Congo, Benguela, Monjolo, Keto, e Jeje.
Dentre estas, algumas se destacam:
A Nação Keto é formada pelo povo Yorubá. É um antigo reino africano: situava-se onde hoje se encontram a República Popular do Benim e a Nigéria. É também o nome dado ao povo que aqui chegou como escravo, vindo dessa região. Foram responsáveis pela implantação da maioria dos terreiros na Bahia dando origem à maior e mais popular nação do Candomblé. A sua diferença das outras nações está no idioma utilizado, o Yorubá, no toque de seus atabaques, nas cores e símbolos dos Orixás e nas cantigas. Seus fundamentos são passados oralmente e os seus rituais mais conhecidos são: Padê, Sacrifício, Oferenda, lavar contas, Ossé, Xirê, Olubajé, Águas de Oxalá, Ipeté de Oxum e Axexê. Tem grande influência sobre as outras Nações, que incorporaram algumas práticas e rituais. Tem como subgrupos: Efá e Ijexá ou Batuque, no Rio Grande do Sul e Mina-Nagô no Maranhão.
A Nação Banto ou Angola é formada pelos povos de Congo e Angola (Cassanges, Kikongos, Kimbundo, Umbundo e Kiocos) e se desenvolveu entre os escravos africanos que falavam a língua Kimbundo e Kikongo. O candomblé Angola é facilmente reconhecido pela forma diferente de dançar, cantar e tocar os atabaques. Diferentemente da hierarquia Keto, no candomblé Angola o cargo mais importante pertence ao homem Tata Nkisi e à mulher Mametu Nkisi que correspondem ao Babalorixá e a Yalorixá dos Yorubás. Esta Nação incorporou os Orixás iorubanos, mas utilizando nomes relacionados aos “Inkices”, que são as divindades Banto. É fundamental também o culto aos Caboclos, espíritos dos nativos brasileiros. Zambi é o Deus supremo.
A Nação Jeje ou Mina-Jeje é formada pelos povos Ewe e Fon (idioma Fon) e tem como berço o Reino de Dahomé. Esses povos formam o candomblé Jeje. Desembarcaram por aqui, a princípio, em São Luis, no Maranhão onde o ritual é conhecido como Tambor de Mina. Na Bahia, em Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo também há o ritual Jeje. Para a Nação Jeje, suas divindades chamam-se “Voduns”, cujo Deus Supremo é Mawu, tradição herdada dos povos Ewe-Fon. Foram chamados “jeje” (estrangeiros) pelo povo Nagô.
Diz a mitologia Fon que Mawu tinha um companheiro chamado Lisa e que ambos são filhos de Nanâ Buruku, a grande mãe criadora do mundo. Mawu era a Lua, que teve força ao longo da noite e viveu no oeste. Lisa era o Sol, que fez sua morada no leste. Quando existia um eclipse dizia-se que Mawu e Lisa estavam fazendo amor. Eles eram pais de todos os outros Deuses. E existiam quatorze destes deuses, que eram sete pares de gêmeos. Este relato é um mito do primeiro povo do Dahomé, os Fons.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

NELSON MOTTA E O AXÉ DO CANTO DA SEREIA


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Quando Nelson Motta escreveu em 2002 o livro "O Canto da Sereia" jamais imaginaria que sua sereia pudesse ser incorporada por uma das mais lindas atrizes da atualidade: Ísis Valverde. Ísis tem todo o axé de uma sereia, que combina com nome da personagem (Sereia) vivido por ela, na obra adaptada para a televisão por George Moura, Patrícia Andrade e Sergio Goldenberg.
No Candomblé, temos nossas Àyabás (mães rainhas) com sensualidade e elegância de sereias.
Oxum, a deusa do amor, é delicada e extremamente graciosa. Suas filhas são envolventes e habilidosas.
Yemanjá, a grande mãe que aqui no Brasil é representada pela imagem de uma linda mulher pairando sobre as águas, é poderosa e encantadora. Suas filhas são afetuosas, mas imprevisíveis, como as ondas.
Yansã, a senhora dos raios e tempestades, é guerreira e dominadora. Suas filhas são amantes apaixonadas, vivendo intensamente seus instintos.
Euá e Obá não fogem à regra. Euá é puro encanto e Obá, paixão ardente.
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Segundo a história, não fosse o fim trágico da personagem Sereia (ela é assassinada em pleno carnaval baiano), que reuni todos os perfis das mães rainhas, Sereia iria se tornar o maior mito de desejo nacional de todos os tempos.
Sereia vem com um axé especial, onde ela e outros personagens transitam com desenvoltura por Salvador e se misturam a personalidades como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Claudia Leite, Carlinhos Brown, Gilberto Gil e Caetano. Celebridades que incrementam e animam a folia baiana.
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Axé, Sereia!

domingo, 6 de janeiro de 2013

IFÁ



A palavra Ifá tem como raiz “fa” e significa acumular, abraçar, conter. O termo indica que todo conhecimento e as tradições yorubás se encontram no corpus literário de Ifá. 
Ifá na verdade não é um Orixá, mas sim um oráculo que, segundo consta, nasceu no Antigo Egito e migrou para a África Ocidental, especialmente para as regiões onde hoje estão localizados a Nigéria e Benin. É o guardião de todos os segredos e mistérios e foi escolhido para predominar em todos os jogos divinatórios e tem até um com seu nome, que só pode ser jogado por homem. É um ser intermediário entre os Orixás e os homens. 
O Ifá na umbanda é a 3ª pessoa da Santíssima Trindade:
ZAMBI – O PAI
OXALÁ – O FILHO
 IFÁ – O SANTO ESPÍRITO
É tido como a estrela que guiou os Magos ao encontro de Jesus recém-nascido, e a pomba – verdadeiro símbolo do Divino Espírito Santo. 
Ifá não é louvado no início das giras de umbanda por ser mal conhecido e por se encontrar em posição imprecisa e vaga, razão pela qual não foi assumido no culto, na posição que deveria ocupar. 
Também conhecido como Orunmilá, é a divindade da profecia dos yorubás e é muito respeitado por seu conhecimento e sabedoria. Governa o conhecimento dos destinos e dos presságios denominados Odús. 
O termo Orunmilá é formado pela contração de: orun-l’o-mo-a-ti-la, que significa “somente o
 céu conhece os meios de libertação”, e é também o resultado da contração de: orun-mo-ola que significa “somente o céu pode libertar”.  Ele é reconhecido como “ibi keji Olodumaré” e “elirin ipin” ( testemunha da criação). Orunmilá é o elemento cósmico que comunica ao ser humano seu destino, tal como foi decretado por Olodumaré. Acredita-se que ele estava ao lado de Deus no momento da criação. 
Embora Orunmilá não seja de fato Ifá, a associação íntima existe, porque, ele é o que conduz o sacerdócio de Ifá. 
Na Nigéria não se faz nada sem antes consultar Ifá. Para orientar os que o procuram Ifá dirige-se ao Odu Corpos, que contém a história da maioria dos Orixás e ensinamentos sobre curas por meio de plantas, dessa forma os sacerdotes de Orunmilá também conhecem o preparo de medicamentos necessários para a cura de doenças. 
Os sacerdotes de Ifá ou de Orunmilá são chamados de Babalawo (o pai dos segredos). Geralmente são procurados por um grande número de pessoas, grande parte em situação de crise, e que não sabe exatamente como agir devido ao seu estágio de fragilidade. O sacerdote é proibido de tirar vantagens da situação e não pode recusar atender mesmo aqueles que não têm condições de pagar por seus préstimos. 
O sacerdote passa por um longo período de aprendizagem de conhecimentos precisos, em que a memória é fundamental. Ele deve aprender uma grande quantidade de lendas e histórias contidas nos 256 Odus ou signos de Ifá. No conjunto todo, o aprendizado forma uma espécie de enciclopédia oral dos tradicionais conhecimentos yorubás. O nome de Ifá permanece ligado à prática do jogo advinhatório com os búzios. 
LENDA 
Ifá era muito pobre e vivia da pesca. Então fez um trato com Legbá – o mensageiro celeste. Ele pediu que Exú lhe arranjasse riqueza e em troca ele serviria a Exú como escravo por 16 anos. Exú, muito ladino, conhecedor das artes advinhatórias, ficou feliz em ter a companhia de Ifá. E aos poucos foi ensinando-lhe os segredos do futuro. Usava para ensinar a Ifá uns coquinhos de dendê. Mas, Ifá aprendeu tanto, que já não tinha vontade, nem tempo, para limpar a casa de Exú. Um dia apareceu uma bela mulher na casa de Exú. Era Apetebi, e pediu para ajudar a arrumar a casa do compadre. E aos poucos foi aprendendo a arte da advinhação. Apetebi só se vestia de dourado e quando passava deixava um rastro de perfume. Ela não era outra senão Oxum. Oxum foi ensinada por Ifá através do jogo dos 16 coquinhos de dendê. E tanto aprendeu que Exú passou a responder a todas as perguntas da Yabá Menina. 
CARACTERÍSTICAS DE IFÁ 
Cores: branco, marfim
Metais: prata, ouro
Comida: arroz cozido com mel
Predominância: jogos, vidência, segredos, mistérios, soluções
Domínios: montanhas, cumes
Dia da semana: sexta-feira e domingo
Saudação: Exeu, Epá Oju Olorum! Aláá Yfá!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO



AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO-VELHO
Num cantinho de uma sessão, sentado em um banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei por que motivo contei-as. Foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me e o interroguei: - Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho porque externas assim tão visível dor? E ele suavemente respondeu: - Vês esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas. - A primeira, eu dei àqueles indiferentes que aqui vêm em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber. - A segunda, à esses eternos duvidosos que acreditam desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam. - A terceira, distribuí aos maus, àqueles que somente procuram a umbanda em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um semelhante. - A quarta, aos frios e calculistas, que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão. - A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor nos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: creio na umbanda, nos seus caboclos e no teu Zambi. Mas somente se vencerem o meu caso, ou curarem-me disso ou daquilo. - A sexta, eu dei aos fúteis que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente. - A sétima, meu filho, notou como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos médiuns vaidosos, que só aparecem no centro em dia de festa e faltam às doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando da caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual. Assim, meu filho, foi para esses todos que viste cair, uma a uma, “as sete lágrimas de um preto-velho”.